Durante a pandemia no Novo Coronavírus, o Blog da Unoesc tem buscado evidenciar que as mudanças propostas neste período podem ser encaradas como uma nova maneira de viver. Contudo, não deixamos de mostrar que isso pode alterar a  Saúde Mental. Trouxemos também histórias de superação, e hoje voltamos ao tema.

 

Adriano Alberti foi acadêmico do curso de Educação Física da Unoesc Videira. Continuou os estudos. Fez especializações, mestrado, está fazendo doutorado, apesar de ser portador de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Síndrome de Borderline, e Síndrome do Pânico. Conversamos com ele a respeito disso. Acompanhe o que ele nos respondeu.

 

Como chegou à universidade?

A minha médica psiquiatra me encaminhou para a prática de atividades físicas, junto ao tratamento medicamentoso. Comecei a fazer academia e gostei muito. Consequentemente, quis seguir nesta área, prestei um processo seletivo para ingressar no curso de Educação Física e fui aprovado.

 

 

 

Onde estudou?

Fiz minha graduação na Unoesc Videira, minhas Especializações na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), em Campos Novos, Mestrado na Unoesc Joaçaba e estou fazendo o Doutorado na Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), em Palhoça.

 

Por que resolveu seguir estudando – especialização, mestrado, doutorado?

Decidi seguir pela paixão pela pesquisa e escrita, aliado a sempre ter em mente me superar e atingir objetivos cada vez maiores.

 

Quais foram as suas principais dificuldades?

Tive muitas dificuldades, mas a principal sempre foi a apresentação em público. Devido às síndromes essa foi a maior dificuldade, principalmente no Mestrado e no Doutorado, onde se exige muito que se tenha o pleno domínio. Hoje eu tenho esse domínio, mas inicialmente sofri muito. Meus professores não sabiam o que eu tinha, mas superei tudo isso e hoje procuro por meio da minha história auxiliar outras pessoas a superarem isso.

 

O que é o Transtorno de Borderline?

Transtorno mental caracterizado por humor, comportamentos e relacionamentos instáveis. Caracterizado por um padrão de instabilidade contínua no humor, no comportamento, autoimagem e funcionamento. Os sintomas mais comuns da síndrome de borderline englobam instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas.

 

O que é Síndrome do Pânico?

síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente.

 

O que é o Transtorno Obsessivo Compulsivo?

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno mental caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. As Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais em que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

 

De que forma ser portador destas síndromes te ajudou ou te atrapalhou na tua trajetória?

Primeiramente me atrapalhou quando eu não tinha o pleno domínio delas, me fazendo sofrer com o medo e a dificuldade em falar em público, de me expressar. Mas me auxiliou a partir do momento em que eu me dei conta de que não é a doença que me tem e sim eu tenho a doença, ou seja, tenho o pleno domínio das síndromes. A partir do momento em que tive essa mentalidade, as síndromes somente me auxiliaram, pois as pessoas que têm essas síndromes têm uma “Curiosidade aguçada”. Alguns estudos dizem que pessoas que tem algum tipo de síndrome estão mais próximos da genialidade do que pessoas “normais”. Pessoas muito geniais na história da humanidade sofriam com algum tipo de transtorno mental, como Albert Einstein, Ludwig Van Beethoven, Vicent Van Gogh dentre muitos outros. Então, desde que obtive o pleno domínio, os transtornos somente me auxiliaram. Acredito que o “Faro aguçado” na pesquisa e escrita eu desenvolvi graça a eles.

 

Quando você percebeu que estava “no fundo do poço”?

Na segunda internação em uma clínica de reabilitação, olhando para trás ali foi o pior momento, pois eu tinha abandonado os estudos no ensino médio e estava completamente entregue.

 

O que o fez superar as adversidades?

Nunca desistir, sempre querendo seguir em frente e com meus objetivos em mente. Principalmente quando mudei minha maneira de pensar: não é apenas o pleno domínio sobre as síndromes, mas também sobre a maneira de pensar num todo. Sofri com traições de pessoas próximas, desemprego e, mesmo assim, não desisti, pois eu estava focado e tinha muito claramente em minha mente que eu queria vencer e não importava o obstáculo. Eu tinha certeza de que eu venceria, ou seja, uma mudança radical de mentalidade.

 

Quais as dicas que você dá para quem passa por questões semelhantes às suas?

Não desistam! Independente do momento difícil, dos obstáculos, sigam em frente. Temos uma capacidade incrível! Podemos superar qualquer coisa e conseguir atingir qualquer objetivo. Por fim faço o convite para que adquiram meu livro Renascendo das cinzas em um mundo e mente perversos, onde eu detalho como eu fiz para superar e chegar aonde cheguei. O livro está disponível no formato físico e digital.

 

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