Aproveitar o tempo para ler. Uma promessa reiterada. Como estamos em casa o tempo todo, ou boa parte, pelo menos enquanto precisarmos cumprir o isolamento social, isso pode finalmente ser posto em prática. Hoje trazemos reflexões a cerca da epidemia. Não dados. Nada de informação de noticiário, foco este que nos tem deixado cansados. Resolvemos buscar textos de leitura agradável, de escritores e pensadores atuais.

 

 

Os nomes mais cobiçados da filosofia contemporânea uniram-se para escrever sobre a situação por que passamos, em meio à pandemia. A sopa de Wuhan – pensamento contemporâneo em tempos de pandemia está disponível para ser baixado na internet. A intenção é que o pensamento deles sobre o assunto circule e gere debate. O livro está escrito em espanhol. São textos escritos entre fevereiro e março deste ano. O portal Medium publica uma tradução para cada texto, feito pelos escritores do próprio portal e de outros independentes.

 

O livro traz reflexões do filósofo italiano Giorgio Agambem, do eslovaco Slavoj Zizek, do espanhol Santiago López Petit, do coreano Byung-Chul Han, além do francês Alain Badiou, Jean-Luc Nancy, David Harvey, Judith Butler, Raul Zibechi, Maria Galindo e termina com o texto de Paul Preciado  “Aprendendo com o Virus”, que diz:

 

O evento Covid-19 e suas consequências nos chamam a nos libertar de uma vez por todas da violência com a qual definimos nossa imunidade social. A cura e a recuperação não podem ser um simples gesto imunológico negativo de afastamento do social, de fechamento da comunidade. A cura e o cuidado só podem emergir de um processo de transformação política. Curarmos a nós mesmos como sociedade significaria inventar uma nova comunidade além das políticas de identidade e fronteira com as quais até agora produzimos soberania, mas também além da redução da vida à sua biovigilância cibernética. Seguir vivo, permanecer vivo como um planeta, contra o vírus, mas também contra o que pode acontecer, significa implementar formas estruturais de cooperação planetária.

 

Desde o início da pandemia, a Editora N-1 disponibiliza, gratuitamente, textos sobre a crise atual e intitula a sessão como A Pandemia Crítica. Estão disponíveis mais de cem (100) textos com abordagens críticas a respeito dos reflexos políticos, econômicos e culturais da pandemia. Aqui você pode ler textos de intelectuais brasileiros, professores universitários, como pensadores, que fazem a análise também das nossa realidade e do contexto mundial. Além da contribuição do filósofo português José Gil, do escritor e teórico da mídia italiano, Franco “Bifo” Berardi (tradução de Beatriz Sayad) e outros. Entre as publicações, destacamos “E daí? Todo mundo morre: a morte depois da pandemia e a banalidade da necropolítica”, de Hilan Bensusan (UNB), “Pandemia, racismo e genocídio indígena e negro no Brasil: coronavirus e a política da morte”, Felipe Milanez (UFBA) e Samuel Vida (UFBA) e militante negro. Até mesmo o texto anônimo Monólogo do Vírus, que começa assim:

 

“Queridos humanos, parem com seus ridículos apelos à guerra. Parem de me lançar estes olhares de vingança. Desliguem a aura de terror com que embrulham o meu nome. Nós, os vírus, desde a vida bacteriana do mundo, somos o verdadeiro continuum da vida na Terra. Sem nós, vocês nunca teriam visto a luz do dia, nem mesmo a teria visto a primeira célula.”

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