Você já deve ter refletido sobre o aprendizado que possa ter nestes dias em que se mantém em isolamento social. Com este ímpeto, fomos conversar com a professora Jéssica Romeiro Mota, Coordenadora da Agência de Inovação e Relações Institucionais da Unoesc (AGIR), para saber como ela está levando estes dias, como tem organizado a sua rotina e como está lidando com as demandas do trabalho. A professora conta que está tentando manter a sua rotina como era antes, só que agora fazendo tudo em casa. Dorme no horário que sempre dormiu, acorda e faz as atividades rotineiras e trabalha nos horários que cumpre regularmente na Unoesc. Segundo ela, isso é importante para que o seu corpo entenda que só está mudando o ambiente, mas que as questões diárias continuam e precisam ser solucionadas como antes. Reuniões, aulas, tarefas da casa, filhos, tudo se mantém, só que em casa. Jéssica diz que precisa haver um controle pessoal para que não haja excesso de trabalho, já que está em outro ambiente, onde possibilitaria estender tanto tarefas do lar quanto o trabalho. Contra isso, mantém um controle rigoroso das atividades. Evita trabalhar nos finais de semana, para não ficar ansiosa e não transformar este período de quarentena em uma experiência ruim.

 

Tenho procurado manter a rotina, mas sem me cobrar se, eventualmente eu não me sentir produtiva e precisar fazer uma pausa para brincar com o meu filho, tomar um café, ou então ler um livro, escutar música, caminhar no jardim, treinar. Tenho feito o que eu posso para manter a sanidade mental. Eu acho que isso é normal e não tenho me culpado.

 

A coordenadora da AGIR lembra que, além de ela estar trabalhando em casa, também estão os seus filhos estudando. Então a atenção é vinte e quatro horas, já que eles também querem a sua atenção para ajudar nos deveres de casa, para que ela veja a brincadeira nova ou o assunto novo que estão aprendendo. Mas diz que são dilemas que esta quarentena tem nos apresentado e que demandam reflexão, um olhar para dentro, e um exercício diário, que é saber dosar o que é digital, o que é profissional, o que é pessoal, e o tempo para cada coisa. Inclusive, ela conta que teve alguma dificuldade com o tempo, de início. O tempo que demorava atualizando as notícias nas redes sociais.

 

Eu fico muito querendo saber o que está acontecendo no mundo, na economia, na política. Como tudo tem impactado em todas as áreas, isso me deixa muito conectada nas redes socais. Mas tenho conseguido definir o que eu quero absorver e acompanho apenas as redes sociais que eu entendo que são mais confiáveis. Acho que isso é muito importante neste momento que a gente tem muito conteúdo. Mas tem momentos que atrapalha, então deixo o celular no quarto, desligado. E só volto a acessá-lo quando já terminei meus afazeres e me dou este tempo.

 

Há muita potencialidade no uso da internet: lazer, trabalho, conexões pessoais, mas é preciso administrar estas necessidades, controlar que informações se está absorvendo e saber filtrar o que te fará bem. Este é um dos lemas que Jéssica tem conseguido manter. Para ela, a vida não pode ser digital porque é uma construção do tempo presente, tem que viver o que acontece a cada momento. Jéssica pontua a importância de se estar focada no que é mais importante a cada momento.  Ela não tem dúvidas de que esta experiência está nos ensinando sobre muitos aspectos.

 

Primeiro, acredito que estamos aprendendo a simplificar tudo. Depois, temos as infinitas possibilidades que a tecnologia nos oferece. Eu acredito muito que não vai ser como antes. Tem sido um ensinamento a oportunidade de lidar com a ansiedade. A gente está aprendendo a ser um ser humano melhor: uma mãe melhor, um pai melhor, um profissional melhor, um amigo melhor. Este é outro aprendizado que eu tenho tido: não perder a minha capacidade de acreditar em mim, acreditar nos outros e acreditar que isso tudo está nos ensinando a ser melhor.

 

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