No dia 17 de março, o governador do Estado de Santa Catarina, Carlos Moisés, decretou Estado de Emergência, por conta da pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), impondo uma série de medidas restritivas, que deveriam ser cumpridas nos próximos sete dias. Manteria, no entanto, em funcionamento, os serviços considerados essenciais, como Farmácias, Supermercados, Unidades de Saúde, Postos de Combustível e distribuidoras de gás e água. O Decreto vem sendo revisto e renovado desde então. Mas as medidas restritivas foram afrouxando, permitindo-se, nas últimas semanas, a reabertura do comércio, restaurantes e outras atividades – com a obrigatoriedade do uso de máscaras e a higienização das mãos com álcool em gel (70%) sempre que se tocar em qualquer objeto ou pessoa, para evitar a contaminação.

Neste tempo, o trabalho da imprensa e dos pesquisadores vem sendo fundamental, na disseminação das informações relevantes sobre os cuidados necessários para que o contágio não ocorra de forma que se perca o controle médico e sanitário. Para entendermos melhor o que é este vírus, conversamos com a bióloga e professora doutora Eliandra Mirlei Rossi, da Unoesc São Miguel do Oeste. Ela domina este assunto e poderá nos contar como se dá o contágio e como devemos fazer a assepsia correta das superfícies e das mãos.

 

Coronavírus é o nome de um grupo de vírus. Normalmente, eles causam infecções respiratórias –  resfriado, pneumonia. O último coronavírus foi descoberto no final de 2019 e está sendo chamado também de SARS Cov 2, causador da pandemia COVID-19.

 

A transmissão desse vírus é de pessoa para pessoa através principalmente da contaminação por gotículas respiratórias, e também pelo contato com os infectados ou mãos contaminadas pelo vírus quando tocadas no nariz ou boca. Por isso, as pessoas que já têm um histórico de rinite estão mais suscetíveis a contrair o vírus, porque comumente levam a mão à boca e ao nariz.

 

 

Fala-se muito no cuidado com a higienização das mãos porque elas são o veículo que leva este vírus à boca, ao nariz, aos olhos, por onde ele penetra no organismo. Precisamos entender que o vírus é um microrganismo que precisa ser manipulado para mudar de superfície. Ele não voa ou se desloca com facilidade. Por isso orienta-se a higienização das superfícies.

 

Esse vírus está circulando na população por meio de secreções e gotículas de saliva contaminada e a transmissão aérea tem sido uma das principais vias responsáveis pela infecção. Embora a carga viral exata em superfícies inanimadas seja desconhecida durante um surto, é essencial desinfetar superfícies frequentemente tocadas. Os coronavírus humanos podem permanecer infecciosos vivos em superfícies por muitas horas ou dias. Ao tocar nessas superfícies existe a possibilidade de contaminar suas mãos, e se você tocá-las no nariz ou boca poderá contrair o vírus.

É importante ficarmos atentos, pois o vírus pode permanecer viável durante um certo tempo em diferentes superfícies, o que aumenta o risco de transmissão. Até o momento, de acordo com a professora Eliandra, estudos científicos mostraram que ele (SARS Cov2) pode ficar por até 3 h no ar de ambientes fechados e sem circulação de ar. Por isso, evite lugares fechados com aglomerações de pessoas, abram as janelas e deixem o ar circular.

Outro dado importante é que em lugares que possui aço inoxidável ou plástico, como corrimão, maçaneta e todo tipo de superfície lisa que frequentemente passamos a mão, o coronavírus SARS Cov2, causador da pandemia Covid- 19 fica viável por 2 a 3 dias, ou seja é importante que se mantenha essas superfícies limpas em casa e evitem o contato com essas superfícies seguido de toque nos olhos, nariz e boca.

 

Higienização das superfícies e das mãos

 

Trabalhos cientificos publicados recentemente mostraram que diversas substâncias podem  ser usadas para controlar os diversos vírus do grupo coronavírus. Uma dessas substâncias é o álcool 70%  – capaz de matar os vírus em 1 min e pode ser usado na forma liquida ou gel, ambos se mostram eficientes. Ele atua desnaturando (alterando) proteínas e removendo os lipídios existentes no envelope lipidico dos vírus desse grupo, o que consequentemente vai provocar a morte desses microrganismos.

Mas não esqueça! É importante verificar a concentração certa do álcool (70%), e ao passá-lo nas mãos de forma uniforme, devemos deixá-lo secar naturalmente para que haja tempo de ação. Outra informação importante é que a presença de altas concentrações de matéria orgânica (sujidades vísiveis) diminui a atividade microbicida do álcool, por isso nesse caso recomenda-se higienização com água e sabão.

Outro tipo de álcool também testado foi o propanol (que possui o mesmo mecanismo de ação que o álcool etilico) e teve ação nas concentrações 70 e 75% com contato mínimo de 30 segundos. O álcool é um composto de ação rápida, fácil uso, baixo custo, compatível com metais. Porém como desvantagem dilata e enrijece borracha e plástico, opacifica acrílico, danifica lentes e materiais com verniz.

Para a higienização de aparelhos de celulares, computadores e outros eletrônicos, aconselha-se o uso do álcool isopropílico (99%), que possui uma concentração menor de água e por isso apresentam uma probabilidade menor de causar algum dano ao equipamento.

 

No interior do Estado é comum se utilizar o Vinagre para higienizar frutas, verduras, legumes, pensando em uma possível ação antibactericida. Porém, não há nenhum estudo que o relaciona com o coronavirus. O álcool é muito mais eficiente, portanto, o vinagre não deve se apresentar como uma opção.

 

A água e sabão também são considerados um dos agentes que contribuem para matar o os vírus envelopados (caso dos coronavírus). Os sabões e detergentes de um modo geral, graças às suas propriedades químicas, removem a maior parte dos microrganismos que está na superfície da pele através da interação que ocorre entre as moléculas lipídicas (gordura) e moléculas lipofílicas (que dissolvem gordura) durante o esfregaço das mãos. Essas interações simultâneas fazem com que os microrganismos sejam envolvidos pelo sabão e retirados da pele junto com as células mortas e sujidades. Por isso, para evitar a disseminação do vírus recomenda-se  lavar as mãos ou também para higienizar superfícies com água e sabão por 1 minuto pelo menos.

Outra substância também recomendada para desinfecção de superfícies é o hipoclorito de sódio (água sanitária) em concentrações de 0,1% por pelo menos 1 minuto também. Essa substância destrói o vírus porque é um composto alcalino e interfere na integridade da membrana do envelope lipídico com uma inibição enzimática irreversível, alterações do metabolismo celular e degradação dos fosfolipídios. Este produto possui como vantagem baixo custo, ação rápida, baixa toxicidade, porém como desvantagem corrosivo para metais, inativado na presença de matéria orgânica, odor forte, irritante de mucosa.

 

Não se recomenda usar hipoclorito de sódio para higienização de mãos. As soluções devem ser preparadas na hora para uso, pois ela perde eficácia antimicrobiana com o passar do tempo. Para elaborar soluções com concentrações de 0,5% recomenda-se o uso de aproximadamente 4 colheres de sopa (40 ml) de água sanitária comercial (com concentrações de 2 a 2,5% de hipoclorito de sódio ou cloro ativo) para cada 1 litro de água.

 

A professora nos conta que também podemos usar o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) na concentração de 0,5% em contato por 1 minuto. Esta substância possui como mecanismo de ação a destruição da membrana lipídica (envelope), em função dos radicais livres tóxicos que o peróxido produz. Possui como vantagem a sua baixa toxicidade, pois é facilmente degradado em oxigênio e água, mas é necessário que o material a ser desinfetado passe por uma limpeza prévia, o produto é corrosivo, portanto necessita de cuidados no manuseio; a solução deve ser utilizada logo após sua preparação e armazenada, protegendo-a da luz. Atenção! Não deve ser usada em artigos de cobre, zinco, alumínio e bronze.

Além dessas mais comumente usadas, evidencias cientificas destacam que substâncias de uso hospitalar como iodopovidona (concentrações variáveis entre 0,23% a 7,5%), glutaraldeído (concentrações de 0,5% e 2,5%) e formaldeído (concentrações entre 0,7% e 1%) também foram eficazes contra vírus do grupo coronavírus. Quanto mais limpar as superfícies, adquire uma menor chance de ser contaminado pelo SARSCOV2.

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