Primeiro fecha tudo, fica todo mundo em casa, adapta-se uma rotina nova. Depois, o comercio vai abrindo, aos poucos. Depois volta todo mundo pra casa. Na sequência, fecha em alguns lugares e abre em outros. A “correria” fica na força da expressão usada comumente para atender ao sentido de que estamos todos tentando organizar as nossas vidas a esta nova rotina. Nessa função toda, academias e clubes também fecham, assim como os espaços de lazer sofrem restrições ao uso. Justamente onde os de exercícios físicos eram praticados.

Com o isolamento social e o fechamento das academias e clubes, ficou difícil também para o profissional de Educação Física, responsável pela orientação das atividades e treinamentos. O professor Sandro Pedrozo, coordenador do curso de Educação Física da Unoesc Xanxerê nos conta que o profissional de Educação Física precisou se reinventar, pensando em estratégias eficazes, que levassem os praticantes a um estilo de vida fisicamente ativo, porém em um formato diferente: online.

 

 

 

 

A partir da ideia do treinamento em casa, já existem vários aplicativos voltados ao público de academia, com orientação online do profissional de Educação Física. Agora estão lançando algumas plataformas com foco em teleatendimentos de saúde e bem-estar, no formato de microfranquia digital. Acredito que isso possa ser uma inovação no setor fitness, a partir deste momento de estamos vivenciando.

 

 

 

 

Conforme o Conselho federal de Educação física, o profissional pode contribuir essencialmente na prevenção de riscos e mitigação dos efeitos nocivos à saúde, advindos da pandemia da COVID-19, bem como na promoção e na recuperação da saúde geral da população. Vislumbra-se a partir do declínio das taxas de contaminação da Covid-19 no Brasil, a retomada progressiva dos serviços em atividades físicas, esporte e também nas aulas de Educação Física escolar. No entanto, é necessário que esses serviços sejam realizados de forma organizada, precedidos de orientação sistematizada para profissionais e usuários, onde a reponsabilidade seja mútua no que diz respeito à comportamentos, atitudes e decisões. O professor aponta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu diretrizes claras sobre a quantidade mínima de atividade física necessária para manter a saúde e a forma física adequadas.

 

Por exemplo, é recomendado que adultos de todas as idades devem realizar atividades físicas (exercícios aeróbicos e de força muscular) pelo menos 150 min com intensidade moderada, ou 75 min de intensidade vigorosa, semanalmente.

 

A importância de se realizar exercícios físicos conforme essas recomendações, foi relatada em uma meta-análise recente de estudos prospectivos, realizada por pesquisadores de Oxford (Wahid et al. 2016), que totalizou 36 investigações e mais de três milhões de indivíduos acompanhados por um período médio de 12 anos. Os pesquisadores concluíram que atingir os níveis de atividade física recomendados pela OMS estava associado a um menor risco de eventos cardiovasculares (17%), a um menor risco de mortalidade cardiovascular (23%) e uma incidência menor de diabetes tipo 2 (26%).

 

Espera-se que com declínio das taxas de contaminação da Covid-19 e o retorno da “nova normalidade”, as oportunidades para os profissionais de Educação Física cresçam exponencialmente, em razão do tempo de pouca ou nenhuma física de grande parte da população, durante esse período de pandemia.

 

Alguns esportes profissionais já estão retornado, com a realização de testes periódicos e pré-jogo de covid-19, por parte dos atletas e comissão técnica, ou ainda o isolamento de todos os participantes de competição em um Resort, como é o caso da NBA, onde todas as equipes (jogadores, comissão técnica e dirigentes) ficaram concentradas  23 dias antes do reinício da competição, com realização constante de testes da covid-19, e o estabelecimento de protocolos sanitários rígidos para minimizar as chances de contágio. No esporte coletivo amador ou de lazer, que exigem contato físico e por essa razão ainda não foi liberado para retorno, é necessária uma estratégia ainda mais rígida no que diz respeito aos protocolos sanitários, uma vez que a realização de testes periódicos é financeiramente inviável.

 

A retomada dos esportes é uma situação que ainda merece um cuidado especial, pois devido ao contato físico e compartilhamento dos materiais específicos de jogo, e a retomada deve ser feita com bastante segurança, seguindo os protocolos sanitários específicos para cada modalidade.

 

Perguntamos ao professor Sandro Pedrozo se o próprio curso de Educação Física sofreria alguma consequência ou se necessitaria de alguma adequação nos tempos pós-pandemia. Ele nos relatou que uma nova matriz curricular está em elaboração no Brasil. Com isso, existe a possibilidade de alterações, mas isso tudo ainda está em fase de debates.

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