O termo Fake News surgiu ainda no século XIX, de acordo com o dicionário Merriam Webster.  Eram matérias falsas, publicadas em veículos noticiosos dede a década de 1890. Antes disso, no século XVIII, já se praticava tal modalidade noticiosa, porém o termo em inglês para falso era exclusivamente false.

As notícias falsas podem inclusive influenciar nos fatos históricos, como aconteceu em setembro de 1937. O Plano Cohen foi detalhado na Hora do Brasil, pelo General Góes e Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército brasileiro. Seria um plano armado por comunistas, como haveria sido a Intentona Comunista, dois anos antes, prevendo greves, depredações e saques, para derrubar o governo.  Tratava-se de um plano falso, e traria consequências graves para a democracia brasileira. Sob o pretexto de combatê-lo, Getúlio Vargas decreta Estado de Guerra e dois meses depois, dá o golpe, instaurando o Estado Novo, que duraria até 1945.

Por se tratar comumente de conteúdo apelativo, estas notícias são facilmente espalhadas sem checagem prévia sobre a sua veracidade. O seu poder é ainda maior na população com menor escolaridade, que dependem das redes sociais para obter informações. Este universo é alimentado por pessoas de grande influência que, para isso, contratam equipes especializadas na produção deste tipo de conteúdo. Nas redes sociais são criados perfis falsos, com dados, fotos, informações, como fossem reais. São atualizadas diariamente, dando credibilidade a eles. São estes perfis que espalham as notícias falsas. Os sites publicam as informações como fossem reais.

Os produtores deste tipo de conteúdo mudam constantemente os seus endereços físicos e também o endereço (IP) das suas máquinas, para não serem identificados. Há, com isso, um alto investimento em tecnologia. Para disfarçar a produção de conteúdos falsos, produzem um número reduzido de notícias verdadeiras, o que lhes garante a fala sensação de serem sites confiáveis. Outra característica é a utilização de montagens de vídeos, imagens ou áudios. Porém, há que se tomar cuidado com este tipo de notícia falsa, por elas podem ocasionar, inclusive risco de morte, quando se referem à saúde pública.

Durante as eleições estadunidenses de 2016, o termo ficou conhecido mundialmente. As notícias falsas influenciaram muito negativamente a candidatura da senadora Hillary Clinton, sendo espalhadas por eleitores de Donald Trump, que acabou sendo eleito.

 

 

 

Produtores de Fake News

São pessoas contratadas para produzirem estas notícias sem deixar rastros. O Correio Braziliense produziu uma reportagem, assinada por Leonardo Cavalcanti, a respeito deste assunto que é bastante ilustrativa e traz detalhes da produção destas notícias. Eles entrevistaram três pessoas responsáveis por este trabalho em diferentes partes do país – sob sigilo da fonte. Os entrevistados alegam que, em período eleitoral, chegam a ter um faturamento de cerca de R$500 mil por candidato e contam que trabalham como guerrilheiros, referindo-se à luta ideológica.

O primeiro deles relata que foi enviado para uma cidade que faz fronteira entre a Argentina e o Uruguai para de lá disparar notícias falsas contra um candidato a presidente do Brasil. O trabalho é chamado por estas agências de Contrainformação.  O segundo “mercenário”, como a reportagem os identifica, garante que os produtores deste tipo de notícia reconhecem-se entre si. São pessoas especializadas em comunicação e tecnologia.  Ele relata que uma parte do trabalho é visível, emite nota fiscal, contrata funcionários fichados; a outra é secreta e não deixa qualquer rastro.  O terceiro entrevistado afirma efetuar as compras usando cartões pré-pagos de outros países por julgar arriscado deixar rastros usando cartões nacionais.

 

 

 

 

Como detectar uma Fake News

Existem plataformas especializadas em detectar notícias falsas. O Grupos de Estudos de Desinformação em Redes Sociais (GEDRS), da Universidade Estadual de Campinas criou uma hotline – canal de denúncias – no WhatsApp para mapear e combater as Kake News sobre o Novo Coronavírus nas redes sociais. Desde o início de março já foram mais de 8 mil contatos e 30 mil denúncias que estão sendo verificadas por uma inteligência artificial. Depois serão identificadas as nas outras redes sociais. Separamos algumas delas para você conhecer e usar, quando estiver em dúvida da veracidade de uma informação divulgada através de WhatsApp, Facebook ou até mesmo por algum site que você julga confiável.

 

Agência Lupa

Para entrar em contato com a Lupa, basta mandar uma mensagem no Facebook diretamente para o Messenger, que o bot irá auxiliar a avaliação das informações como verdadeiras ou falsas.

Boatos.org 

Se você quiser fazer uma denúncia de alguma notícia falsa, pode ir à página do Facebook do Fato ou Fake, ou mandar uma mensagem para o WhatsApp, através do número (21) 97305-9827

E-Farsas

É o mais antigo, no ar desde 2002. Para mandar uma sugestão de notícia para o site, basta apenas ir na aba de Contato do site.

 

Fake Check 

Plataforma criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Eles utilizam Inteligência Artificial para fazer a chegagem.

 

Aos Fatos

Com bases no Rio de Janeiro e em São Paulo, conta com uma equipe profissional multidisciplinar e multitarefa.

 

 

 

 

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