Têm-se falado muito sobre os profissionais da saúde – aqueles que estão arriscando as suas vidas para salvar as nossas. Relatos nos jornais, nos canais de televisão, toda a imprensa tem destacado o esforço destes profissionais em tempos de pandemia. Sabemos, porém, que este trabalho não se restringe a pandemias. Eles estão aí nos hospitais, nas clínicas, nos laboratórios, e mesmo na área científica, mantendo pesquisas atualizadas para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos, do que for necessário para o controle do Novo Coronavírus (Covid-19) e também de outros males.

A Unoesc assume a sua responsabilidade na formação destes profissionais, oferecendo, na Área da Vida e Saúde os cursos de Medicina, Odontologia, Farmácia, Nutrição, Enfermagem, Fisioterapia, Educação Física e Biotecnologia. Hoje falaremos sobre a importância do fisioterapeuta nestes tempos e como se faz essencial a sua presença nos espaços de controle, prevenção e cuidados com a saúde.

Para isso, conversamos com o professor Doutor Antuani Rafael Baptistella. Ele ministra aulas no curso de Fisioterapia e no Programa de Pós-graduação em Biociências e Saúde. No Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), ele trabalha na Unidade de Terapia intensiva (UTI). Antuani nos conta que,  apesar de ter ganho destaque agora durante a pandemia, a atuação do fisioterapeuta em UTIs já acontece há décadas. Atualmente as UTIs contam com um profissional fisioterapeuta para cada 10 leitos por 18h diárias, e já está no Senado o projeto que prevê a atuação por 24h. Sobre o trabalho em si, ele relata:

 

 

Dentro de uma unidade de terapia intensiva, o fisioterapeuta tem uma série de atribuições, entre as quais pode-se destacar a prevenção, o diagnóstico e tratamento de alterações cinético-funcionais. A mecânica respiratória, seja no paciente em ventilação espontânea ou ventilação mecânica e a otimização da troca gasosa tem demandado grandes esforços durante essa pandemia, já que os pacientes com quadros graves apresentam importantes disfunções ventilatórias.

 

 

 

 

Ainda consta na lista de atividades do dia-a-dia do fisioterapeuta intensivista o ajuste e monitorização dos parâmetros do ventilador mecânico, a monitorização contínua da mecânica respiratória, a higiene brônquica e o posicionamento desses pacientes em posição prona, onde ele é deitado de barriga para baixo, de acordo com o professor.

 

 Além disso, temos a preocupação com a fraqueza muscular que pode ocorrer em decorrência do longo tempo de permanência na UTI e do uso de sedativos e bloqueadores neuromusculares. Outra preocupação é a reabilitação dos pacientes com covid-19 após a alta hospitalar, já que esses pacientes podem apresentar sequelas pulmonares.

 

É importante, lembrar da prevenção e dos cuidados com a saúde pulmonar. O professor Antuani lembra que a fisioterapia pode prevenir alterações respiratórias, bem como tratar ou reabilitar essas alterações, seja através da melhora da expansibilidade pulmonar, da troca gasosa e higiene pulmonar, ou pela otimização da mecânica ventilatória através do trabalho da musculatura respiratória. Mas esta não é a única função do fisioterapeuta dentro dos hospitais em tempos de Novo Coronavirus:

 

O fisioterapeuta tem atuado em diferentes frentes durante a pandemia: na atenção primária em saúde, onde a educação da população e as orientações quanto a prevenção ao contágio são fundamentais; o fisioterapeuta também tem tido uma atuação importante no cuidado aos pacientes com Covid-19 com sintomas leves e moderados, seja a nível hospitalar ou ambulatorial, já que esses pacientes podem apresentar alteração na mecânica respiratória, na troca gasosa (oxigenação), e na funcionalidade; e a principal atuação dos fisioterapeutas na pandemia tem sido junto aos pacientes graves com Covid-19, os quais demandam cuidados em unidades de terapia intensiva.

 

O professor nos contou que, durante a pandemia, ocorreu um aumento na procura por esses profissionais, principalmente pela ampliação de leitos de UTI em todo o Brasil e  a abertura de hospitais de campanha. Espera-se, para o pós-pandemia, que estes e os demais profissionais sejam ainda mais valorizados. Como se pode perceber, a rotina tem sido exaustiva psicologicamente e fisicamente. da grande demanda de trabalho exigida, pela complexidade que caracteriza esses pacientes graves com COVID-19, e em muitos lugares há escassez de profissionais especializados, com experiência no atendimento a pacientes. Mas Antuani se diz recompensado pela recuperação dos pacientes, o que transmite satisfação de ter cumprido com o seu dever.

 

 

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