Viver é fazer escolhas. O tempo todo. Que profissão você vai seguir? Ouvimos isso desde criança, quando outras pessoas mais velhas brincam de imaginar o que a gente vai ser quando crescer. Mas o momento chega. E aí, você já fez a sua escolha? Acertou? Pensando sobre isso, procuramos o professor Álvaro Mahl, coordenador do curso de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho. Ele conta que costuma definir quatro elementos essenciais neste momento: o autoconhecimento, conhecer as profissões, saber como é a realidade e o mercado de trabalho e a partir daí escolher.

O primeiro, e um dos fundamentais, é buscar o autoconhecimento. A pessoa precisa se envolver no processo de escolha, quais são seus gostos, as suas preferências e aí analisar qual a compatibilidade que estes gostos e preferências têm com alguma profissão. 

O professor explica que a pessoa precisa saber de fato quais são os seus interesses e buscar analisar exatamente as possíveis influências que ela está exposta para fazer a escolha: familiar, amigos, contexto da sociedade contemporânea, idealização de uma profissão, de um estereótipo. 

Enfim, existem muitas influências. Para a escolha ser mais acertada, é preciso refletir: quem eu sou, o que gosto de fazer e como relaciono os gostos com o exercício de uma profissão, vai ter mais chance de acertar esta escolha.  

Álvaro acrescenta, então, o segundo elemento: conhecer as profissões. Para isso, ele orienta realizar visitas a universidades, conversar com profissionais que atuam na área, conhecer a rotina de trabalho deste profissional, para desmistificar algumas profissões, alguns estereótipos que se tem. 

A própria Psicologia, muita gente pensa mais na psicologia clínica e desconhece outros ramos de atuação, como a área hospitalar, emergências e desastres, jurídica, escolar, neuropsicologia. Enfim, todo um universo de campos de atuação que às vezes o jovem desconhece. Faz parte também deste processo buscar saber qual é o currículo das disciplinas que vai ter que estudar para poder se formar naquela profissão.

Como uma terceira etapa, Álvaro  orienta a conhecer a realidade e o mercado de trabalho, fazendo um exercício de reflexão sobre as perspectivas futuras, como estará a profissão daqui a cinco, dez, quinze anos. Depois disso, estará pronto para a derradeira etapa, que é a escolha em si. Neste último momento, vale ponderar, entre as oportunidades que você tem hoje, qual a melhor escolha possível, que vai te colocar mais próximo do teu objetivo final, do teu grande sonho? 

Está dentro do autoconhecimento, onde a pessoa tem que verificar não só as habilidades, mas também seus pontos fortes nas esferas pessoal, técnica, mas ela também tem que avaliar seus pontos fracos, suas fragilidades. Porque de repente a pessoa gosta de fato da Psicologia, por exemplo, você precisa entrar em contato com o outro, tem que ter habilidade de comportamento, de comunicação, e às vezes é uma pessoa muito tímida, fechada. E isso não é incompatível com a Psicologia, mas é importante que ela passe por esse processo, que ela se conheça nesse sentido, pra identificar.

 Se ela tem uma fragilidade em uma habilidade que vai ser necessária na profissão que ela gosta, ela já tem que saber disso pra poder desenvolver e aperfeiçoar essa habilidade. Para fechar este ponto, o professor destaca algumas perguntas gerais:

 

Pedimos para o professor Álvaro Mahl sobre os testes vocacionais. Ele nos relatou que, apesar de não serem obrigatórios, eles podem ser uma ferramenta que dá mais segurança. Diz ele que a Clínica de Psicologia da Unoesc realiza testes de orientação profissional.

Mudar de profissão é errado? Claro que não. E acontece muito. Vivenciando, trabalhando, você vai conhecer de verdade a profissão. E pode descobrir que não tem as habilidades que imaginou que tinha. Ou que elas talvez não sejam suficientes. Mas, Álvaro pede para que se  tome cuidado! 

Principalmente na primeira, segunda fase dos cursos existem muitas disciplinas de formação geral, de conhecimento não-específico, que não são de formação profissionalizante, o que às vezes causa um certo desgosto por parte dos alunos. Então, eles têm que ter ciência de que existem conhecimentos de formação geral em todos os cursos, que eles vão entrar em contato com isso no primeiro ano dos cursos. Mas a partir da segunda ou terceira fase há um aprofundamento na parte específica. 

O coordenador do curso de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho acredita ser possível e necessária uma orientação profissional continuada, no sentido de rever constantemente  os processos de escolhas. O estudante chega na faculdade e se depara com todos os  campos de atuação da profissão que escolheu.  É importante que ele comece a fazer novas escolhas e direcionar, se debruçar com mais empenho, com mais dedicação naquelas áreas que ele tem maior afinidade, maior interesse. Assim ele pode investir em conhecer, em ir a um congresso de uma área que tenha mais afinidade que outra. Então é importante este processo reorientação e reorientação profissional. Seja com acompanhamento de um psicólogo ou ele próprio