O Mapa do Ensino Superior chega a 11a edição analisando, mais uma vez, os dados do Censo a Educação Superior, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tendo como base o período mais recente disponível, 2019, portanto antes do início da pandemia da Covid-19 que mudou o cenário da educação mundial. Ainda assim, as informações nos ajudam a ter uma visão geral e um panorama completo do quadro do ensino superior do país, mapeando diferentes aspectos sobre as mais de 8,6 milhões de matrículas registradas em 2019.

O Brasil é um país continental e cheio de diferenças composto por cinco regiões e 27 unidades federativas. Com um PIB de aproximadamente 7,4 trilhões e uma população estimada em 212 milhões de habitantes (dados do IBGE para 2020), o país possuía em 2019 a 84ª posição no ranking mundial em relação ao IDH, 0,765, um reflexo dos contrastes econômicos e sociais de nossa realidade, com concentração de matrículas nos estados mais desenvolvidos, como São Paulo e Minas Gerais, por exemplo.

Entre dados gerais que veremos de forma mais detalhada nas próximas páginas, o país possui apenas 17,4% das pessoas de 25 anos ou mais que possuem o ensino superior completo (segundo dados do IBGE referentes a 2019). Nossa taxa de escolarização líquida (que mede o percentual de jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior em relação ao total da população da mesma faixa etária) é de apenas 18,1%, bem abaixo da Meta 12 que o Plano Nacional de Educação quer atingir até 2024 (33%) – a taxa de escolarização bruta é um pouco maior, 35,9%. Apesar de termos uma média de 2 milhões de concluintes (foi 1,9 milhão em 2019) no ensino médio anualmente, eles não chegam até o ensino superior ou evadem antes do fim do curso.

Outra disparidade do ensino superior nacional é a concentração de matrículas na rede privada. São 75,8% das matrículas em instituições de ensino superior privadas. Em relação às modalidades presencial e EAD, apesar da queda da primeira e o crescimento da última ao longo dos últimos anos, 71,5% dos alunos matriculados estão nos cursos presenciais.

 

Dados regionais

Com quatro estados e sendo a região mais populosa, o Sudeste, por exemplo, concentra a maior quantidade de matrículas do país, 43,8% (uma pequena queda em relação a 2018, quando a região detinha 44,4% dos alunos do ensino superior do Brasil). O Nordeste, por outro lado, mesmo sendo a segunda maior região em termos populacionais, representa apenas 21,7% das matrículas do país, possuindo a menor taxa nacional de matrículas em relação à população (33 alunos matriculados a cada mil habitantes).

A distribuição demográfica das matrículas dos cursos EAD também vai na contramão da ideia de ela atinge estudantes de regiões mais isoladas e de difícil acesso. O Sudeste e o Sul seguem campeões de matrículas na modalidade (39,7% e 22,2%, respectivamente), enquanto o Norte, mesmo possuindo um menor número de IES que ofertam cursos presenciais e apresentando crescimento de faculdades e universidades com polos EAD, segue com a menor concentração de matrículas do ensino a distância, apenas 10,7% dos alunos da modalidade.

Em relação ao número de IES, 2019 registrou um crescimento de 2,8% (contra 3,6% em 2018), concentrados na rede privada, que representa 88,4% do total de instituições no país, número que justifica também a centralização das matrículas. Já os polos EAD tiveram um aumento de 14,0%, confirmando a tendência de ampliação, principalmente na rede privada, da modalidade, que segue abarcando um público mais velho que não teve chance de fazer uma graduação quando mais novo logo após a conclusão do ensino médio, mesmo com um aumento de 4,7 pontos percentuais na participação de jovens entre 19 e 24 anos verificado no comparativo de 2019 com 2013.

Outro dado interessante: apesar da queda de 3,8% no número das matrículas presenciais, o número de cursos ofertados pelas IES na modalidade continua subindo, crescendo 3,1% de 2018 para 2019. O crescimento desse número na rede privada foi de 3,8%, mesmo com as quedas de 5,8% das matrículas no mesmo período.

 

Matrículas Presenciais e EAD

Em relação às matrículas presenciais e EAD, o setor do ensino superior segue a tendência apontada nos últimos anos, com queda do número de estudantes nos cursos presenciais e aumento de estudantes na modalidade EAD. No comparativo de 2019 com 2018, o acréscimo das matrículas totais foi de apenas 1,8% (no período anterior, o crescimento foi de 1,9%), com decréscimo de 3,8% nas matrículas presenciais e salto no EAD (19,1%).

Em 2019, o Brasil registrou 2,04 milhões de ingressantes nos cursos presenciais de ensino superior, queda de 1,5% em relação ao período anterior. A rede privada teve decréscimo de 2,6% de ingressantes na modalidade, enquanto a rede pública observou um leve aumento de 1,6%. No EAD, o crescimento de ingressantes foi de 15,9%, com inversão entre redes privada e pública, a primeira registrou salto de 19,0% das matrículas enquanto a segunda teve uma queda brusca de 48,2%.

Ao longo das próximas páginas, você leitor poderá ler outros dados importantes com comentários distribuídos em vários gráficos e tabelas sobre o número de matrículas por porte de IES, áreas e cursos, modalidades de ensino, faixa etária; números de ingressantes e concluintes; taxas de evasão; dados sobre mensalidades, empregabilidade, financiamentos, entre outras informações. Pela primeira vez, o capítulo referente às informações do Brasil traz dados sobre o cenário das matrículas de pós-graduação.

 

Instituições

Depois de crescer 3,6% em relação a 2018, o número de IES no país teve um aumento ainda menor em 2019, 2,8%, com acréscimo de 3,0% no total de instituições de ensino privadas. A rede privada segue representando 88,4% do total de IES no país, concentrando 75,8% das matrículas do ensino superior.

74,8% das IES do país são de pequeno porte, sendo que, na rede privada, esse percentual é de 79,9%. Apesar de concentrarem a maior parte das matrículas do país, as IES com mais de 20 mil alunos matriculados representam apenas 4,8% do número de instituições do país, sendo a representatividade delas maior na rede pública, 17,8% (contra apenas 3,1% das IES da rede privada).

A evolução dos polos EAD segue a tendência de crescimento das matrículas na modalidade. De 2020 para 2021, houve aumento de 14,0% dos polos EAD, com concentração na rede privada, que detém 93,6% das matrículas da modalidade no país.

 

 

Matrículas

O Brasil registrou um aumento de 1,8% no número total de matrículas de 2018 para 2019, mostrando uma tendência de estabilidade no crescimento, praticamente o mesmo de 2017 para 2018 (1,9%). O acréscimo das matrículas na rede privada foi de 2,4%, um pouco maior do que no período anterior (2,1%).

São Paulo segue como o estado com maior número de matrículas do país, somando mais alunos no ensino superior do que o segundo e terceiro estados (Minas Gerais e Rio de Janeiro) juntos.

Em 10 anos, o número de IES de grande porte subiu 1,8 ponto percentual, com um aumento de 10,3 pontos percentuais no número de matrículas. No mesmo período, o número de IES de pequeno porte caiu 4,7 pontos percentuais, com uma diminuição de 6,0 pontos percentuais na participação das mesmas em relação ao total de matrículas. Os dados apontam um crescimento da concentração nas mãos das IES de grande porte.

As áreas com maior número de matrículas na rede privada são Negócios, Administração e Direito, Saúde e Bem-Estar e pública só domina as matrículas nas áreas de Ciências Naturais, Matemática e Estatística e Programas Básicos.

As matrículas presenciais têm registrado queda desde 2016. Em 2019, elas caíram 3,8%, com decréscimo mais acentuado ainda na rede privada (5,8%). Apesar da diminuição dos alunos, a rede privada ainda detém a maioria das matrículas nos cursos presenciais (68,8%). Em 2019, 71,5% das matrículas do ensino superior brasileiro estavam na modalidade presencial. Em 2018, esse percentual era de 75,7%.

As matrículas no EAD têm registrado crescimento contínuo nos últimos anos. Em 2019, elas sofreram um salto de 19,1%, com todo esse acréscimo concentrado na rede privada (21,7%), já que a rede pública tem verificado uma retração de 8,9% no número de matrículas. Em 2019, a concentração de matrículas EAD na rede privada chegou a 93,6%. Em 2019, 28,5% das matrículas do ensino superior brasileiro estavam na modalidade EAD. Em 2018, esse percentual era de 24,3%.

 

Faixa Etária

A rede pública possui mais jovens entre 19 e 29 anos matriculados nos cursos presenciais do que a rede privada, são 78,8% na primeira e 73,3% na segunda. Já nos cursos EAD, há uma inversão: 43,6% das matrículas na rede privada são de jovens na mesma faixa etária, contra apenas 33,5% na rede pública. Os dados apontam que as modalidades têm públicos diferentes, com um maior percentual de um público adulto concentrado nos cursos EAD.

Houve um aumento da presença de jovens entre 19 e 24 anos nos cursos presenciais da rede privada entre 2013 e 2019, um crescimento de 5,8 pontos percentuais no período. Em compensação, a faixa etária de 25 a 29 anos registrou uma pequena queda de 2,4 pontos percentuais. No mesmo período, os cursos EAD da rede privada tiveram crescimento de 4,7 pontos percentuais de matrículas na faixa de jovens entre 19 e 24 anos, com leve queda de 0,8 ponto percentual no mesmo período na faixa etária de 25 a 29 anos.

 

Taxa de Escolarização

Brasil registrou um pequeno aumento de 0,2 ponto percentual na taxa de escolarização líquida de 2019 no comparativo com 2018. O aumento das matrículas nos cursos EAD não tem impacto na taxa de escolarização líquida, que segue distante dos 33% estabelecidos pela Meta 12 do Plano Nacional de Educação para o ano de 2024. Mesmo com um aumento de 0,8 ponto percentual de 2018 para 2019, a taxa de escolarização bruta, que não leva em consideração faixa etária, também está abaixo da Meta 12 (50%): 35,9%. O Distrito Federal segue como único a alcançar a meta. A região Nordeste também continua a apresentar os menores índices: apenas os estados do Piauí e Paraíba estão acima da média nacional.

 

Financiamento

O salto na participação de calouros com financiamento reembolsável próprio das IES foi de 2,0 pontos percentuais em comparação com 2018. Já o FIES registrou uma queda de 0,4 ponto percentual. Entre 2014 e 2019, o decréscimo na participação de ingressantes com FIES foi de 19,1 pontos percentuais.

Entre 2018 e 2019, houve aumento de 3,2 pontos percentuais na participação de ingressantes com financiamento não-reembolsável das próprias IES. No mesmo período, a participação dos ingressantes com ProUni parcial ou integral caiu 0,5 ponto percentual. Entre 2014 e 2019, o crescimento na participação de ingressantes com financiamento não-reembolsável das próprias IES foi de 20,4 pontos percentuais. A queda na participação de ingressantes com ProUni no acumulado do mesmo período chegou a 0,5 ponto percentual.

 

 

 Santa Catarina

As matrículas presenciais continuam a tendência de decréscimo verificada desde de 2018. De 2018 para 2019, as matrículas presenciais se mantiveram estáveis (na rede privada a queda foi de apenas 0,4%). Na modalidade EAD, houve um salto de 13,4% das matrículas no estado de 2018 para 2019 (na rede privada, esse crescimento foi de 14,1%).

Em 2019, Santa Catarina registrou 158 mil ingressantes na rede privada (crescimento de 19,5% em relação a 2018). Nos cursos presenciais da rede privada, o crescimento de ingressantes de 2018 para 2019 foi de 17,4%; na modalidade EAD privada, o aumento foi de 20,8%. A taxa de evasão do estado é de 24,8% nos cursos presenciais e 31,1% no EAD.

Entre os cursos mais procurados na rede privada de Santa Catarina, Direito e Administração lideram na modalidade presencial, com 29,5 mil e 11,6 matrículas, respectivamente, ambos com queda em relação a 2018. Na modalidade EAD, Pedagogia teve 33,8 mil matrículas em 2019.

Santa Catarina representa 26,4% dos estudantes matriculados nas IES da região Sul. A representatividade das matrículas do estado em relação ao Brasil é de apenas 4,5%. Depois de cair em 2018, as matrículas presenciais voltaram a ter decréscimo em 2019, mas a rede privada ainda detém 71,7% das matrículas presenciais de Santa Catarina. A queda na rede privada de 2018 para 2019 foi de 0,4%.

O crescimento das matrículas presenciais de 2009 a 2019 foi de 12,1%. Na rede privada, esse aumento foi de 25,5%. 98,9% dos estudantes da modalidade EAD do estado de Santa Catarina estão matriculados na rede privada, a maior concentração da região Sul. O salto das matrículas nos cursos EAD de 2009 a 2019 foi de 192%; esse aumento foi concentrado na rede privada (215%), enquanto a rede pública teve queda de 59,6%.