Há 10 mil anos já havia moradores na região do Meio Oeste catarinense. Estes indígenas se ocupavam de caça e coleta. Mais que isso, há registro desta e de outras ocupações mais recentes, de cerca de 500 anos, quando os indígenas já se utilizavam de cerâmica. Estas informações só são possíveis graças ao trabalho de arqueólogos.

Se você se interessa por informações como esta, temos uma boa notícia. A Unoesc está estruturando o Centro Arqueológico em Joaçaba. E para conhecer mais sobre este espaço e o que ele poderá oferecer, conversamos com o seu coordenador, Tiago Diersmann.

 

O Centro Arqueológico é a junção do Laboratório de Arqueologia, o próprio espaço de Museu, a reserva técnica e a sala de educação ambiental e patrimonial, isso tudo forma o Centro Arqueológico. A expectativa é que nós façamos a inauguração do museu no próximo semestre, se a pandemia assim nos permitir. Estamos fazendo a montagem do espaço. Mas esperamos poder fazer uma inauguração presencial, com a abertura para a visitação da comunidade em geral.

 

Tiago nos explica que o Centro funciona desta forma: o Laboratório de Arqueologia recebe as peças – muitas vezes estas peças vêm de um arqueólogo que já fez o resgate de um sítio específico. Depois da análise, o material vai para a reserva técnica, onde é feito o registro das informações acerca dele – quando foi encontrado, a que tempo pertence, o significado da peça para o povo que a ocupava, entre outras. Passado todo este processo, a peça é encaminhada ao museu, que é o espaço expositivo.

 

 

Em maio, a Unoesc recebeu aproximadamente 13 mil peças. Recebidas, de acordo com o coordenador do Centro de Arqueologia, graças à parceria que prevê o patrocínio da China Three Gorges Corporation  (CTG), empresa chinesa, estabelecida também no Brasil. A CTG é a maior produtora de energia hidrelétrica do mundo, trabalhando também com energia eólica, solar e energia renovável.

A equipe começou a ser capacitada em 2020. A arqueóloga gaúcha Marina Fonseca está desenvolvendo a análise técnica do material, no laboratório e, ao mesmo tempo, cuidando da capacitação dos estagiários Eliza e David, que vão auxiliá-la. Além dela, a museóloga Franciele Masiero, de Chapecó, cuida da organização do layout do museu, definindo o que será exposto em determinada época. A equipe ainda conta com a professora Fernanda D´Agostini que supervisiona as questões acadêmicas e o coordenador administrativo, que completa o time de profissionais Ele nos conta como se dá o processo, desde a chegada das peças até a exposição ao público.

 

Inicialmente, o laboratório recebe estas peças, faz toda a parte de análise, identifica se é um material lítico – feito em pedra – que pode ser uma ponta de flecha, pilão, batedor de pedra – ou cerâmica – caco de cerâmica, vaso, urna funerária. Precisamos fazer essa diferenciação. Faz a identificação de medida, de peso, do estado do material.

 

Depois disso, as informações são inseridas no sistema Pergamum, que também é utilizado pela Biblioteca para documentação e arquivo das obras, habilitando para consulta on-line. Ainda é possível fazer, no mesmo sistema, a digitalização e o cadastro dos arquivos da Unoesc. Tiago alegra-se em dizer que, cumprida esta etapa, será oportunizada a pesquisa e identificação de qualquer tipo de material.

 

Por exemplo, se a pessoa deseja procurar o que nós temos de ponta de flecha. Coloca no termo de pesquisa: “ponta de flecha” e aí vai aparecer toda a relação de material que nós já recebemos. Vai ter tudo registrado com fotos. Todo esse trabalho é feito no laboratório de Arqueologia.

 

Com todo o material digitalizado, será disponibilizada a visita virtual ao acervo. Outros museus e centros culturais já contam com esta ferramenta. O visitante virtual pode ver cada peça disposta em cada prateleira. Ao lado da foto do objeto, um QR Code (código de barras) dá acesso às informações que estão no Pergamum. Com isso, como diz Tiago, as pessoas podem ter um gostinho do que estará disponível para o conhecimento de todos. E claro, este material poderá vir a ser objeto de pesquisa para os diversos cursos oferecidos pela instituição e até mesmo para aqueles que venham de fora.

 

No museu, haverá exposições de curta e de longa permanência. Podemos trazer, então, um projeto de engenharia ambiental, relacionado a este trabalho de museu ou de resgate ambiental. Podendo se transformar em exposição. Teremos uma parceria bem forte com o curso de Ciências Biológicas, onde eles podem falar sobre os animais encontrados, os registros indígenas. Com o curso de Direito também pode se pensar em algo relacionado à pesquisa, o impacto ambiental de uma hidrelétrica. Fazer um resgate da legislação ambiental. O objetivo é fazer a ponte com vários cursos.

 

 

Estes objetos arqueológicos podem ser encontrados em diversos lugares, presos a rochas, encavados na terra, por isso, a legislação prevê a proteção destes locais, quando descobertos. As informações encontradas neles são importantes para o conhecimento da origem dos povos, os velhos hábitos, as velhas culturas, que podem ajudar a desvendar os acontecimentos da atualidade.

 

Nos locais onde se constroem as grandes obras, como torres de energia, hidrelétricas, estradas, pontes, que causam um forte impacto ambiental, é preciso sempre se fazer uma análise arqueológica do terreno para poder, então, obter a autorização para que ela aconteça. Encontrando-se um sítio arqueológico, é feito o resgate do material e após o resgate a construção acaba acontecendo normalmente.

 

A expectativa do Coordenador do Centro arqueológico da Unoesc é que, assim que no Centro estiver aberto à visitação, as pessoas possam nos encaminhar materiais arqueológicos descobertos, e possam oferecer em forma de doação ou parceria. Neste momento será feita uma campanha informativa, para que os moradores saibam o que pode ser um material arqueológico e assim identificar com os objetos que têm em casa. A intenção é que o espaço seja usado por pesquisadores, mas principalmente, que seja acessado por toda a comunidade.