Você inicia uma conversa sobre os possíveis efeitos catastróficos que podem ser ocasionados em decorrência das mudanças climáticas… pode ter certeza de que facilmente será abandonado, ou então, o interlocutor vai pedir para mudar de assunto. Mas a verdade é que o assunto é sério demais. E as consequências estão cada vez mais próximas de cada um de nós.

Tais mudanças climáticas podem fazer com que os oceanos aumentem os seus níveis de água, podendo determinar a extinção de florestas e até mesmo de cidades litorâneas. Não, isso não é roteiro de nenhum filme de ficção científica, mas trata-se, sim, da realidade. Para entendermos um pouco mais e tentarmos desmistificar esse assunto, conversamos com o professor Jackson Preuss, da Unoesc São Miguel do Oeste.

 

As previsões mais otimistas dizem que os oceanos vão aumentar aproximadamente quarenta centímetros, e as mais pessimistas dizem que os oceanos aumentarão aproximadamente oitenta centímetros, colocando em risco principalmente as cidades litorâneas, que poderão ficar embaixo da água nos próximos anos.

 

Jackson alerta que o derretimento das calotas polares, que é talvez o efeito climático mais comentado, não é o único.  Embora sempre se jogue os efeitos negativos para o futuro, fenômenos como o aumento dos eventos extremos, como tornados, furacões, já podem ser percebidos hoje. Ainda podemos completar a lista com queimadas, chuvas extremas e secas extremamente fortes.

 

Temos um aumento muito evidente de eventos climáticos associados ao calor nos oceanos como o El Niño e a La Niña, e a gente tem percebido muito, na nossa região, eventos extremos de grandes secas – prolongadas e seguidas. Ou períodos de muitas chuvas torrenciais, e depois períodos muito longos de eventos de falta de água.

 

Uma pesquisa atribuída à Revista Nature aponta que, até 2050, lugares localizados no Norte de Santa Catarina, próximos à Baía da Babitonga, podendo atingir até mesmo parte da ilha de São Francisco do Sul,  podem desaparecer do mapa devido ao avanço do mar. A lista ainda inclui o maior município do Estado, Joinville. Além desses, o estudo inclui a capital do Maranhão, São Luiz, Guaratuba (SP), Rio de Janeiro (RJ) e a região da Baixada Santista (SP) também estão ameaçadas.

 

O mundo todo está esquentando e a gente tem visto efeitos desse aquecimento nos incêndios cada vez mais frequentes. Além disso, as cidades litorâneas, com certeza, sofrerão fortes impactos pelo aumento dos níveis dos oceanos.

 

O professor Jackson explica que existem muitos lugares, hoje, que estão sujeitos ao desaparecimento, como as florestas tropicais. Exemplo disso temos visto no Brasil, nos últimos anos, onde ocorreram muitos casos de incêndio no Pantanal e na Amazônia – brasileira, boliviana e colombiana. São incêndios naturais, em decorrência das transformações no clima, do aquecimento do ar.  Até mesmo no Alasca, no extremo norte americano, tem apresentado temperaturas recordes, ocasionando o desaparecimento de corais.

Aliás, de acordo com Jackson Preuss, a grande barreira de corais é um dos locais com a maior biodiversidade, e um ecossistema extremamente fascinante. Especialistas dizem que, aproximadamente, 50% das barreiras de corais já foram afetadas, prejudicando, assim, um grande número de animais, plantas e organismos que vivem nesses locais. Outros locais, como as Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, já têm visto um aumento de até um metro do nível do mar. Isso tem colocado em risco essas ilhas, famosíssimas, fazendo com que fiquem embaixo da água.

 

Vemos claramente este risco em locais onde há grandes barreiras de corais. Na Austrália, no triângulo de corais na Indonésia, na Malásia, Ilhas Salomão, Papua Nova Guiné, nas Filipinas e no Timor Leste. Já se tem registros de perda dessas barreiras de corais e que com certeza se intensificarão nos próximos anos.

 

 

Há indicativos de que outros lugares também estão correndo grande risco de desaparecer. Entre esses lugares, os pesquisadores destacam as Ilhas Maldivas (Ásia Oriental); Ilhas Salomão, Kiribati, Tuvalu (Oceano Pacífico); Ilhas Marshall (Oceania); Seicheles (Oceano Índico); Delta de Mekong (Vietnã) e Delta de Ganges (Bangladesh).

A lista de cidades que já estão sob alerta envolve lugares em todos os cantos do planeta:  Veneza (Itália); São Petesburgo (Rússia); Tokyo (Japão); Nova Orleans (EUA);  Jacarta (Indonésia); Houston (EUA); Alexandria (Egito); Amsterdã (Holanda); Bangkok (Tailândia); Ho Chi Min (Vietnã); Tianjin (China); Cidade do México (México); Manila (Filipinas); Miami (EUA); Nova Iorque (EUA) e Xangai (China).

Jackson reforça que o que explica este virtual desaparecimento são as mudanças climáticas. Nos últimos 100, 200 anos, tem-se visto um aumento da emissão de dióxido de carbono (CO2), o que vem ocasionando um efeito conhecido como Efeito Estufa.

 

 

Esse dióxido de carbono se acumula numa região da atmosfera e cria uma espécie de escudo, fazendo com que o calor que entra no planeta não consiga sair, tornando o planeta uma grande panela de pressão. Esse aumento da temperatura média tem causado efeitos catastróficos e, principalmente, tem-se visto aí aumento de tempestades, aumento de incêndios, o que afeta diretamente a biodiversidade do planeta. Então, o que explica o desaparecimento de cidades ou até mesmo de continentes inteiros, com certeza são as mudanças climáticas e, entre elas, podemos citar o aquecimento global.

 

Há muitas lendas sobre lugares que teriam sumido misteriosamente. A este fenômeno eram atribuídos motivos espirituais. Castigo dos deuses, de Allah ou de Buda. É o caso da cidade de Irã dos Pilares, no sul do deserto da Arábia, submersa pela areia. A cidade é descrita no Alcorão como uma cidade de grandes edifícios. A lenda conta que Allah teria enviado uma tempestade de areia para punir o afastamento espiritual daquele povo. Por um castigo dos deuses, acredita-se que a lendária Atlântida teria sumido. Mas, por ser uma lenda, a cidade pode sequer ter existido. A ilha paradisíaca de Schambhala, onde as pessoas nunca adoeciam ou envelheciam, chegou a ser governada por Buda, pela crença local. Esta reapareceu, por ação de arqueólogos, e hoje é um grande complexo de cavernas, no Nepal.

 

 

Impedir que lugares desapareçam está diretamente relacionado à diminuição de impactos negativos que nós, seres humanos, causamos sobre os ecossistemas do meio ambiente. A diminuição do desmatamento, por exemplo, evita com que grande quantidade de CO2 seja liberada, evitando com que aumente o Efeito Estufa. A diminuição do desmatamento é algo muito importante. A manutenção das florestas em pé é fundamental para que as temperaturas do planeta fiquem mais equilibradas, que essas florestas captem este CO2 da atmosfera e utilizem na sua biossíntese e faz também com que a umidade do ar circule de forma muito mais evidente, tornando, assim, as chuvas muito mais constantes e bem distribuídas.

 

Dessa forma, a lição que fica é que devemos criar a consciência de que, para evitarmos que novos locais desapareçam, é fundamental evitarmos, ou pelo menos diminuirmos os desmatamentos, as queimadas, evitarmos que a temperatura dos oceanos aumente e com isso haja o derretimento das calotas polares, o que ocasiona o aumento do nível das águas.

 

A responsabilidade disso tudo é de todos nós. Sempre jogamos as responsabilidades para os governantes, mas nós temos uma parcela muito importante nisso tudo. O aquecimento global, ele tem uma participação de todo mundo.

 

O professor avisa que nós precisamos mudar principalmente a forma de gerenciar os recursos naturais, buscarmos meios de energias renováveis. Ele lembra que as ações humanas individuais são fundamentais num contexto global para evitarmos futuros desastres e futuros desaparecimentos associados às mudanças climáticas.