Tradicionalmente, o farmacêutico é reconhecido por ser o responsável pela produção e distribuição de medicamentos. A partir da Resolução 586, de 2013, a ele foi permitida uma maior participação no manejo do uso dos medicamentos, tendo como foco o paciente e não apenas o medicamento, podendo prescrever também tratamentos clínicos. Para entender melhor esta nova atribuição, conversamos com o professor Alexandre Tiburski Neto, da Unoesc São Miguel do Oeste, que leciona no curso de Pós-graduação em Farmácia Clínica e Serviços Farmacêuticos, oferecido pela Unoesc EAD.

 

O farmacêutico clínico pode recomendar/prescrever medicamentos que não exigem receita médica, os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), bem como medidas não farmacológicas, como encaminhar o paciente ao médico nos casos mais graves.

 

São considerados Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) os complexos vitamínicos e suplementos alimentares, os medicamentos para tratamento da acne, de problemas digestivos, os medicamentos para alergias em geral, antissépticos, anti-inflamatórios, medicamentos para micoses e para a dor. O Conselho Federal de Farmácia (CFF), define a farmácia clínica como sendo a área voltada à ciência e à prática do uso responsável/racional de medicamentos.

 

Neste contexto, o farmacêutico clínico tem como atribuição principal o cuidado ao paciente, otimizando a farmacoterapia, promovendo saúde e bem-estar e prevenindo doenças.

 

O professor Alexandre explica que o primeiro requisito para a realização dos serviços farmacêuticos é que o profissional seja graduado como Bacharel em Farmácia por uma instituição de ensino superior devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), esteja devidamente registrado no Conselho Regional de Farmácia (CRF) da sua jurisdição e não se encontrar impedido por motivos éticos ou administrativos de exercer a profissão.  É importante que a farmácia tenha uma sala ou um espaço reservado que possa ser caracterizado como consultório farmacêutico. O próximo passo a ser cumprido é o da capacitação, uma vez que grande parte dos profissionais de farmácia formados antes de 2019 e que atuam em farmácias comunitárias e drogarias, sejam elas públicas ou privadas, no Brasil, não tiveram formação clínica durante a graduação.

 

Agregar conhecimentos e competências clínicas e em gestão de serviços de saúde é fundamental para o farmacêutico que busque cursos de especialização nessa área para que o paciente possa ser tratado com maior propriedade dentro do âmbito da farmácia clínica.

 

Os consultórios farmacêuticos brasileiros podem ser instalados dentro de farmácias ou drogarias, sejam elas pertencentes a grandes redes ou microempresas, ou ainda, anexados a clínicas que agregam diferentes especialidades médicas entre outros atendimentos de saúde, como nutrição, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, etc. Além disso, o professor Alexandre Neto nos conta quais são as sete atribuições que podem ser prestadas como serviços farmacêuticos:

 

Rastreamento em saúde; manejo de problemas de saúde autolimitados; educação em saúde; conciliação de medicamentos; revisão da farmacoterapia; acompanhamento farmacoterapêutico e gestão da condição de saúde.

 

Alexandre indica que o Acompanhamento farmacoterapêutico se inicia por uma consulta de revisão clínica da farmacoterapia, com um olhar mais voltado aos resultados do tratamento. Em seguida, o farmacêutico trabalha com o paciente em um plano de cuidado e organiza consultas de retorno. Esse acompanhamento farmacoterapêutico permite um relacionamento mais longo e longitudinal entre o paciente e o farmacêutico fidelizando essa relação.

Por meio do Rastreamento em saúde, direcionado a pessoas assintomáticas, é possível detectar os riscos e as alterações na saúde do paciente que podem sugerir alguma doença. Por exemplo: durante a realização de testes de glicemia capilar, pode-se detectar a presença de diabetes mellitus em pacientes assintomáticos. Nesse ponto, Alexandre lembra que é importante entender que o rastreamento não confirma o diagnóstico. Assim, cabe ao farmacêutico, dentro de suas atribuições, encaminhar devidamente esse paciente ao médico para avaliação e confirmação. O paciente também pode trazer alguma queixa ou apresentar sinais e sintomas que podem ser tratados na farmácia, onde o farmacêutico pode oferecer uma consulta direta ao paciente, por meio do manejo de problemas de saúde autolimitados.

 

 Nesse caso, o farmacêutico clínico pode recomendar/prescrever medicamentos que não exigem receita médica, os MIPs (medicamentos isentos de prescrição), bem como medidas não farmacológicas e encaminhar o paciente ao médico nos casos mais graves.

 

Todas as ações que objetivam ampliar o conhecimento e a capacidade dos pacientes de tomar melhores decisões são consideradas Educação em saúde. Isso começa no aconselhamento ao paciente sobre os medicamentos e pode chegar em campanhas de saúde que podem ser realizadas nestes estabelecimentos.

Quando o paciente recebe alta hospitalar, normalmente lhe é recomendado que tome medicamentos de diferentes especialidades. Isso pode gerar confusão, visto que há medicamentos que não podem ser administrados com o uso de outros. Nesse sentido, entra a atribuição do farmacêutico em fazer a conciliação de medicamentos, detectando discrepâncias que precisam ser resolvidas.

Nas farmácias, de acordo com o que relata o professor Alexandre Neto, o checkup dos medicamentos é serviço de revisão da farmacoterapia mais frequente. O paciente leva os medicamentos que ele faz uso e, durante a consulta, o farmacêutico faz uma revisão detalhada sobre cada tratamento. Nesse momento, ele tira dúvidas, resolve problemas, orienta o paciente e promove adesão ao tratamento.

 

Se o farmacêutico clínico detectar possíveis efeitos indesejados, ele pode recomendar mudanças na terapêutica ao médico e encaminhar o paciente para uma reavaliação clínica.

 

Alexandre diz que, nesse caso, tanto faz se for um efeito adverso ou se forem interações medicamentosas não interessantes. Esta revisão, em geral, melhora a adesão ao tratamento pelo paciente, resolve problemas da terapêutica e previne consultas e hospitalizações não previstas. Por fim, o serviço de gestão da doença é importante porque pode melhorar a capacidade do paciente em cuidar da sua condição. Pode ser entendido como um processo de coaching do paciente, e representa uma melhora no controle de várias doenças crônicas.

 

Neste serviço, o farmacêutico clínico acompanha o paciente focando em uma doença específica, como o diabetes, a hipertensão ou a hiperlipidemia.

 

Todos os profissionais farmacêuticos podem atuar como farmacêuticos clínicos. Ele estará inserido no cuidado ao paciente, participando ativamente da terapia medicamentosa, na promoção e/ou recuperação da saúde, exercendo suas atividades com autonomia para a tomada de decisões baseadas nos princípios éticos da profissão. Para o desenvolvimento da farmácia clínica, o farmacêutico deverá possuir conhecimento amplo e integrado em: Farmacologia, Bioquímica, Fisiopatologia, Farmacotécnica, Farmacocinética e Farmacodinâmica. Além desses conhecimentos, o profissional deverá possuir algumas atribuições importantes como: capacidade de solucionar problemas, julgamento e tomada de decisão, capacidade de comunicação, gerenciamento e avaliação das informações médicas e conhecimentos de farmacoterapia.

 

Pós-graduação em Farmácia Clínica e Serviços Farmacêuticos

Depois deste relato, percebemos a importância de se formar esse profissional, que pode acompanhar os pacientes de perto, dando-lhes a oportunidade de um atendimento pormenorizado. A formação, para isso, se faz fundamental. Para isso, a Unoesc EAD oferece o curso de Pós-graduação em Farmácia Clínica e Serviços Farmacêuticos.

 

A especialização em Farmácia Clínica e Serviços Farmacêuticos a distância da UNOESC tem como foco orientar a formação de profissionais que desejam atender a essas novas atribuições clínicas da profissão, trazendo até esses profissionais conhecimentos amplos tanto da clínica quanto da farmacoterapia aplicada.

 

Pós-graduação Unoesc EAD

Os cursos de especialização da Unoesc EAD são desenvolvidos em 360 horas-aula, podendo ser concluídos em 8 meses. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no final, é opcional. Além disso, o curso é oferecido em Ambiente Virtual diferenciado que promove a interação, com metodologias de aprendizagem inovadoras. Todo o corpo docente tem experiência na área em que ministra a aula.

Os cursos são oferecidos totalmente de forma on-line, sem a necessidade de encontros presenciais. As aulas são realizadas ao vivo com o professor e colegas da turma e caso não consiga participar, você poderá assistir à gravação depois. A Unoesc está presente no programa de Mobilidade Virtual e-Movies, onde você pode cursar componentes em instituições estrangeiras e ampliar os horizontes para a construção do seu conhecimento. Inscreva-se já!