Segundo a OMS (Organização Mundial De Saúde), a saúde mental é caracterizada por um estado de bem-estar com o qual uma pessoa é capaz de apreciar a vida, trabalhar e contribuir para o meio em que vive ao mesmo tempo em que administra suas próprias emoções. Em palavras simples, isso quer dizer: conseguir lidar tanto com sentimentos positivos, como alegria, amor e coragem, como com os negativos, como tristeza, ciúmes e frustrações.  A professora Lisandra Antunes de Oliveira, coordenadora do curso de Psicologia da Unoesc São Miguel do Oeste e também professora da Especialização em Saúde Mental Coletiva, oferecida pela Pós-graduação Unoesc EAD, nos fala um pouco mais sobre esse campo de trabalho.

Ter uma saúde mental é estar bem consigo mesmo e com os outros. É importante entender que a saúde mental está relacionada com a forma como a pessoa reage às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, ideias e emoções.

 

Lisandra fala que não devemos confundir a saúde com as doenças mentais. Estas são as condições de saúde que envolvem mudanças na emoção, pensamento ou comportamento (ou uma combinação delas). As doenças mentais, de acordo com a professora, estão associadas à angústia e/ou problemas de funcionamento que afetam as atividades sociais, de trabalho ou familiares.

Nós temos doenças psicológicas comuns, tais como: perda de interesse ou prazer na vida e nas atividades do dia a dia; tristeza generalizada; sentimento de culpa; baixa autoestima; distúrbios do sono; mudança nos padrões alimentares; cansaço constante e exaustão sem causa aparente; falta de concentração, dentre outras.

 

É importante defender os direitos dos sujeitos em sofrimento psíquico e orientar as mudanças na assistência em saúde dessa população. Também, reconhecer que estes pacientes podem apresentar delírios que tendem a ser persistentes e algumas vezes até crônico; podendo haver alucinações auditivas (ouve vozes que não existem na realidade) e visuais (vê imagens que não existem na realidade), embora alucinações sejam incomuns, o afeto tende a ser inexpressivo.

 

Rede de Atenção à Saúde Mental

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) possui uma rede de atenção cujas ações são coordenadas por cada município, com auxílio de uma equipe multiprofissional. Estes núcleos de atenção atendem prioritariamente pacientes com transtornos mentais severos e persistentes. Esse atendimento pode ser realizado de forma individual, em grupos ou mesmo por núcleos familiares. O objetivo do tratamento é integrar o doente mental à sua comunidade.

 

Temos os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), assim como os NAPS (Núcleos de Atenção Psicossocial), os CERSAMs (Centros de Referência em Saúde Mental) e outros tipos de serviços substitutivos regulamentados pela Portaria nº 336/GM, de 19 de fevereiro de 2002. Os CAPS podem ser do tipo I, II, III, Álcool e Drogas (CAPSad) e Infantojuvenil (CAPSi).

 

Quando uma pessoa com transtornos mentais sofre maus tratos ou tem seus direitos violados, além de buscar formas imediatas de proteção dessa pessoa, deve-se denunciar ao Ministério Público e aos disque-denúncias, a exemplo do Disque Direitos Humanos – Disque 100. Portanto, Lisandra aponta o quanto é importante entender que todos podemos, a qualquer momento, sermos violentos. A agressividade é parte do ser humano, tudo depende de como a canalizamos. Sentir é diferente de expressar, manifestamos os nossos sentimentos por meio dos atos (como nos comportamentos).

 

Movimento Antimanicomial

 

Por muito tempo, o paciente da saúde mental foi retratado pela literatura ficcional como louco, muitas vezes trancado ou mesmo amarrado dentro de um hospital psiquiátrico, recebendo severas doses de medicamentos ou até mesmo tratamento de choque. E isso chegou a retratar a realidade. E acabou se tornando uma luta importante para a saúde pública:

 

O Movimento da Luta Antimanicomial se caracteriza pela luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental. Dentro desta luta está o combate à ideia de que se deve isolar a pessoa com sofrimento mental em nome de pretensos tratamentos, ideia baseada apenas nos preconceitos que cercam a doença mental.

 

Nesse sentido, a professora Lisandra nos relata que, a partir de 1990, evidencia-se a necessidade de se pensar e efetivar políticas públicas que possam abarcar esses pacientes, oferecendo a eles um tratamento menos severo e mais humano, procurando outras formas de cuidados. Isso ficou conhecido como um movimento sociopolítico pela Reforma Psiquiátrica Brasileira.

 

A Reforma Psiquiátrica é a promoção de outros espaços, que sejam da ordem da reinserção social, de modo que o usuário esteja desperto, desenvolvendo atividades diárias, pensar nas relações sociais que envolvem a loucura.

 

Dessa forma, faz-se necessário ampliar a compreensão a respeito das possibilidades de intervenções em saúde e possibilitar ao aluno que venha ingressar nesta área, identificar necessidades territoriais, planejar, organizar e executar ações e projetos de saúde mental no âmbito da saúde coletiva, a partir dos paradigmas da Reforma Psiquiátrica.

 

 Pós-graduação em Saúde Mental Coletiva

 

A Pós-graduação em Saúde Mental Coletiva visa, neste sentido, capacitar os profissionais da saúde para um olhar e intervenções ampliadas em Saúde Mental dentro das perspectivas e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar, assim, o marco de referência dos profissionais da saúde em relação às políticas públicas de saúde mental, no âmbito da saúde coletiva.

 

É fundamental sensibilizar e desenvolver capacidades, entre profissionais da saúde envolvidos com o apoio às redes substitutivas e às potencialidades desta rede, na direção da valorização das singularidades, do respeito aos direitos humanos, do acolhimento das diversidades e do engendramento de ações coletivas, interdisciplinares e intersetoriais para o maior exercício da cidadania e usufruto dos direitos sociais à saúde.

 

Conhecendo melhor as práticas da Psicologia da Saúde, é possível se ter uma relação mais humanizada e inclusiva entre todos os atores envolvidos no processo de cuidado em saúde mental – usuários, familiares, trabalhadores, gestores e comunidade. Sendo assim, o objetivo principal desse curso é capacitar os psicólogos e demais profissionais da saúde à compreensão do ser humano como um ser biopsicosociocultural.

Pós-graduação Unoesc EAD

 

Os cursos de especialização da Unoesc EAD são desenvolvidos em 360 horas-aula, podendo ser concluídos em 8 meses. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no final, é opcional. Além disso, o curso é oferecido em Ambiente Virtual diferenciado que promove a interação, com metodologias de aprendizagem inovadoras. Todo o corpo docente tem experiência na área em que ministra a aula. Os cursos são oferecidos totalmente de forma on-line, sem a necessidade de encontros presenciais. As aulas são realizadas ao vivo com o professor e colegas da turma; caso não consiga participar, você poderá assistir à gravação depois. A Unoesc está presente no programa de Mobilidade Virtual e-Movies, onde você pode cursar componentes em instituições estrangeiras e ampliar os horizontes para a construção do seu conhecimento. Inscreva-se já!