Santa Catarina encara a pior seca das últimas décadas. Este fato impacta na produção e na renda dos agricultores e agricultoras familiares, afetando, assim, parte significativa da economia do estado.  Tânia Ivanir Schuler Conterno é agricultora familiar, em Dionísio Cerqueira, no do extremo-oeste catarinense, onde produz leite:

 

A pastagem secou, a produção de leite caiu mais de 40%, a água está acabando, a água potável para consumo a gente busca em mais de dois quilômetros de distância da nossa propriedade. Temos alimentação pro gado pra mais uma semana, não plantamos ainda o milho para a silagem para a passagem do inverno e não sabemos o que fazer.

 

Sem chuvas significativas nos últimos meses e sem medidas de auxílios na área rural do estado, a Agricultura Familiar é a primeira a sentir os reflexos da estiagem que não tem previsão de acabar. O agricultor familiar Gilson Lemos, de José Boiteux, no Vale do Itajaí, está somando os prejuízos e buscando alternativas para garantir renda para sua família.

 

A gente nem sabe o que vai fazer com isso aqui que a gente tem, nossa fonte principal é o tabaco e desse jeito não vai ter como pagar todas as dívidas.

 

 

Sem chuva, os rios estão secando e as propriedades tiveram perda total no plantio de subsistência, perda total na safra de grãos (milho, feijão, soja), perda total de pastagens dos animais, esgotamento das fontes e reservatórios de água, redução e parada total na produção de aves e suínos, produção de leite. São dezenas os relatos de Agricultores e Agricultoras que percorrem quilômetros atrás de água para dar aos animais e outros que já começaram a vender parte do gado por não ter alimento.

 

Em reunião nesta terça (24/11), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina (FETRAF-SC)* cobrou do Secretário de Agricultura, Ricardo Gouvêa, ações urgentes para enfrentar a seca e garantir atendimento aos Agricultores e Agricultoras, O presidente da Federação, Jandir Selzler, questiona o secretário:

 

É inadmissível que estejamos há meses com esse quadro de seca e o governo do estado não tenha tomado uma medida efetiva que garanta atendimento e assistência aos Agricultores Familiares catarinenses. Já falta água nas propriedades e em breve os animais vão começar a morrer de fome e de sede.

 

Para Jandir, falta ação do Estado com medidas que cheguem até os Agricultores e Agricultoras Segundo ele, o que se tem até o momento são medidas isoladas de alguns prefeitos e ações desesperadas de produtores rurais que se juntam para garantir fornecimento de água para o consumo e também, de garantia mínima para os animais.

 

Se o Estado não tem um programa que viabilize o trato dos animais, que procure criar formas, trazer recursos, insumos de outras regiões do país, subsidiar transporte, o custo. Algo precisa ser feito para garantir que na semana que vem os Agricultores e Agricultoras tenham como tratar os animais. Ou o governo vai esperar o bicharedo morrer e os Agricultores e Agricultoras terem ainda mais prejuízo na produção?

 

O relatório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri que trata sobre os efeitos da estiagem nas cadeias produtivas de Santa Catarina já mostra o reflexo da seca nas lavouras, prejudicando o cultivo do trigo, do milho para silagem, milho para grãos, o fumo e pastagem do gado. De acordo com relatório, cerca de duas mil famílias estão recebendo água na propriedade para garantir a produção animal, que envolve o frango, suíno e leite.

Entre as reivindicações da Federação está a necessidade de Decreto de Emergência Estadual; buscar mais recursos estaduais para construção de poços artesianos; buscar políticas do Governo Federal de diminuição dos prejuízos e assistência aos Agricultores e Agricultoras; criar políticas de subsídios para compra de insumos.

 

* Com informações de Sílvia Medeiros, assessora de imprensa da Fetraf-SC