Segunda-feira é feriado. Homenagem à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. No Brasil, os feriados – civis e religiosos – são estipulados por leis. Ao longo da história foi-se acrescentando e suprimindo estas datas, de acordo com o entendimento dos governos. São considerados feriados nacionais: 01 de janeiro (Confraternização Universal), 21 de abril (Tiradentes), 01 de maio (Trabalhador), 07 de setembro (Independência do Brasil), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Nascimento de Cristo/Natal). Além dos feriados com as datas móveis: Carnaval, Páscoa e Corpus Christi.

A Páscoa acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia – a partir do equinócio da primavera no hemisfério norte ou do equinócio do outono, no hemisfério sul. A sexta-feira da Paixão a antecede. Desta forma, a terça-feira de Carnaval acontece 47 dias antes da Páscoa. Depois de 60 dias, o Corpus Christi. Mas você já parou pra pensar na sua origem. Quando se começou a guardar um dia para o descanso ou celebração de uma data? É sobre isso que vamos falar hoje. No dicionário online de português Dicio, o feriado é uma flexão do verbo feriar, definido desta forma:

 

 “Feriado – Diz-se de, ou dia de repouso por motivo religioso ou civil, ou do dia em que, por um motivo qualquer, se suspendem as aulas num estabelecimento de ensino.”

 

Nossa Senhora Aparecida

 

Tudo começou em 1717, quando o Brasil ainda era dividido por capitanias hereditárias. Os pescadores João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso foram designados para pescarem os peixes que fariam parte de um banquete a ser preparado para esperar os governadores das capitanias de São Paulo e Minas, que passariam por Santo Antônio do Guaratinguetá (hoje pertencente ao estado de São Paulo).

Ás margens do rio Paraíba do Sul, eles jogavam as suas redes, que voltavam sempre vazias. Repetiram por horas este gesto. Apelaram então para a fé e pediram a intervenção da virgem Maria para que não voltassem de mãos vazias. Especula-se que se tratavam de escravos, e portanto, deveria ser imputada a eles alguma punição. Foi então que uma das redes voltou com o corpo de uma estátua – segundo os estudiosos, provavelmente de Nossa Senhora da Conceição, santa de devoção de muitos portugueses. A rede seguinte voltou com a cabeça, que se encaixou perfeitamente no corpo. Depois disso, puxaram algumas redes cheias de peixes, conquistando o seu objetivo. De acordo com a fé católica, um milagre.

A partir deste dia, a imagem permaneceu em uma capela improvisada, até que, em 1745 foi erguida uma capela em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, como ficou conhecida. Deu nome também à cidade que surgiu a partir da devoção da santa, pois o número de visitantes se ampliava ano a ano. Hoje, lá está o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, que recebe cerca de 12 milhões de visitantes por ano e foi visitado pelos três últimos papas – João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

 

Padroeira do Brasil

O primeiro padroeiro do Brasil foi São Pedro de Alcântara, que era santo de devoção da Família Imperial. Dom Pedro I e II tinham Alcântara como segundo nome em sua homenagem. O título só passou para a santa depois que os possíveis milagres aumentaram e a tornaram muito popular em todo o país.

 

A coroa e o manto

No mesmo ano em que se deu a Proclamação da República, a Princesa Isabel, neta de D. Pedro I, visitou a capela erguida em devoção à Nossa Senhora Aparecida e doou a ela dois objetos: uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis e um manto azul como agradecimento a uma graça alcançada:

 

Em 1868, conta-se que ela foi a Aparecida pedir proteção de Nossa Senhora Aparecida para conseguir ter um filho. Já estava casada há quatro anos, sem conseguir engravidar. Em 1874, Isabel teve uma criança, natimorta, e, entre 1875 e 1878, teve três filhos, que garantiriam a sucessão imperial.

 

História

Na Idade Média, era comum a realização de eventos carnavalescos antecedendo a quaresma. Na Grécia Antiga e na Civilização Romana, os feriados lembravam os deuses ou as divindades. Neste período, as celebrações eram praticamente semanais. E assim, por muito tempo, os feriados foram ligados exclusivamente a temas religiosos.

Na França criou-se o primeiro feriado de natureza civil: a Queda da Bastilha, lembrando a Revolução Francesa. A comemoração acontece todo dia 14 de julho. No século XIX, com a Revolução Industrial, evidenciaram-se as diferenças entre a classe operária e os burgueses. Estes conflitos geraram manifestações. Outras datas são baseadas em conquistas históricas. No dia 01 de maio de 1886, por exemplo, aconteceu uma grande greve na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, onde se lutava pela redução da jornada, além de melhores condições de trabalho. O movimento foi repetido em outros lugares e o dia foi fixado nos calendários de mais de 60 países como sendo o Dia Internacional dos Trabalhadores.