Conhecer a região em que estamos inseridos proporciona entendimento do cenário e das perspectivas, bem como possibilita o fomento de iniciativas que contribuam com a inovação de cenários e processos e o desenvolvimento regional. E, é se valendo disso, que o Blog da Unoesc trará uma série de publicações com informações e reflexões sobre os aspectos socioeconômicos educacionais e de inovação das regiões Oeste e Meio-Oeste Catarinenses. Os conteúdos foram construídos com base nas pesquisas, vivências e no trabalho desenvolvido pelos Professores Luiz Carlos Lückmann, Augusto Fischer, Antônio Diomário de Queiroz e Fábio Lazzarotti e foram apresentados nos Seminários do Circuito Unoesc de Inovação realizados no ano de 2019 nas Cidades de São Miguel do Oeste, Chapecó, Xanxerê, Videira e Joaçaba.

 

A primeira das análises foi feita pelo Professor Doutor Augusto Fischer. Nela está as percepções sobre os cenários, que compreendem a evolução populacional (2000 a 2019), o Estoque de Empregados e Remunerações Médias (2000 a 2017) e a evolução dos indicadores Econômicos (2000 a 2016), e podem ser conferidas na íntegra no E-book “A Mesorregião Oeste Catarinense”.O contexto do estudo compreende 116 municípios, sendo 109 do Oeste Catarinense, e 7 do Planalto Serrano, no Estado de Santa Catarina; esses municípios estão agrupados pelas áreas de abrangência dos cinco Campi da Unoesc. Para o contexto considerado, excluíram-se quatro municípios da área de abrangência do Campus de Joaçaba que estão ligados à região de Concórdia, e cinco municípios da área de abrangência do Campus de Videira vinculados à região de Caçador.

 

O estudo utiliza séries históricas a partir do ano de 2000 até os anos de 2017, 2018 e 2019. Assim, apresenta: a evolução e a tendência de indicadores demográficos entre 2000 e 2019; os índices dos agregados econômicos do período de 2000 a 2016, consistindo no Produto Interno Bruto (PIB) total e per capita; os Valores Adicionados Brutos (VAB) totais e setoriais; e os estoques de Empregados e remunerações médias, de 2000 a 2017.

De acordo com as análises, os indicadores demográficos e econômicos da área de abrangência estudada apresentam desempenhos inferiores aos respectivos indicadores do Estado de Santa Catarina e, em alguns casos, a indicadores nacionais. Sobretudo, quando os indicadores são considerados de forma conjunta, eles suscitam preocupações com a perda de posições em termos de representatividade econômica, e como consequência, o esvaziamento demográfico. A tendência do desempenho de tais indicadores alerta para a necessidade de esforços no delineamento de ações que assegurem a continuidade dos fatores de desenvolvimento e de avanços em geral.

O baixo crescimento demográfico da região está aquém das médias estaduais, em decorrência dos fenômenos nacionais de queda das taxas de natalidade com consequente envelhecimento da população. Mas, na região, o baixo crescimento demográfico está principalmente relacionado à migração para outras regiões, principalmente para o litoral do estado, o que caracteriza a “litoralização”, cujo fenômeno está mais evidente entre a população das faixas etárias até 29 anos, em que seu crescimento foi negativo ao longo dos 19 anos da série histórica.

No contexto socioeconômico, a área de abrangência apresenta indicadores com avanços abaixo de médias estaduais e nacionais. Esse desempenho decorre da precarização de fatores que propiciam a dinamização das atividades econômicas. Entre tais fatores estão: a estrutura viária que propicia a logística e acessibilidade para insumos das unidades industriais e escoamento da produção; a diversificação da base produtiva, de tecnologia e de serviços. Os estoques de empregos e remunerações médias, embora tenham crescido mais que o crescimento registrado no Estado, ainda se situam em níveis inferiores, e não apontam para avanços mais significativos que possam influenciar uma conjuntura mais competitiva.

De acordo com o Professor Augusto, o estudo tem como propósito instigar as reflexões sobre as condições gerais da região, bem como estimular os debates sobre alternativas e ações para a inovação e o desenvolvimento sustentáveis da região. Busca-se contribuir como base para um conjunto de premissas para planejamento por entes públicos e interessados na promoção do desenvolvimento, e para a definição de estratégias e o desenvolvimento de ações mais efetivas para contornar ameaças e fragilidades, e consolidar oportunidades e pontos fortes.

Por fim, o Professor ressalta que, de forma geral, as avaliações apresentadas não podem ser consideradas conclusivas, pois os resultados estão sujeitos a mudanças, em razão das variações dos indicadores, que estão sujeitos a frequentes alterações ao longo do tempo. O presente estudo não contempla outros indicadores que podem corroborar ou refutar as avaliações aqui apresentadas, em decorrência de limitações em reuni-los em um mesmo conjunto.

 

*Imagens capa da matéria: Foto Arte, Foto Xanxerê, Dronar, Prefeitura de Videira, Viagens e Caminhos.com.