Março é o mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Você já se perguntou porque foi escolhido o dia 08 de março? Neste dia, em 1917, cerca de 90 mil operárias russas fizeram um protesto que ficou conhecido como “Pão e Paz”. Elas denunciavam a tirania do Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, o fato de estarem passando fome, e a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Tal evento é reconhecido como precursor da Revolução Russa (1917), e a tomada do poder pelos Bolcheviques, o que aconteceria em outubro daquele ano e poria homens e mulheres em condições iguais perante a Lei, legalizaria o aborto seguro e gratuito, além de dar ás mulheres o direito à creche integral para seus filhos, à licença-maternidade e ao divórcio. Além de todas estas conquistas, elas também exercerem cargos de chefia, e foram designadas como atiradoras e aviadoras de elite durante a Segunda Guerra Mundial (q1939-1945). Com isso, em 1921, a data foi oficializada no calendário como o Dia da Mulher.

Durante as duas guerras, os homens saíram para o combate e as mulheres tiveram que assumir múltiplas tarefas: trabalhar nas fábricas para sustentar as suas famílias, criar seus filhos, e não descuidar da sua própria condição de mulher. Quando os homens voltaram, elas haviam se emancipado, o que acabou gerando um conflito entre os gêneros. Os homens queriam assumir seus antigos postos, pensando que as mulheres voltariam então, às atividades do lar, limitando-se á condição de esposas, filhas e amantes. Mas elas não se restringiam mais a estes postos. Estes conflitos foram expostos também nas artes, no cinema, transformava este sonho de serem finalmente visíveis e livres, em realidade. Ao serem retratada pelo cinema, elas passam a existir para a sociedade. E não abririam mão disso.

Apesar disso tudo, somente em 1945, ao fim da guerra, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, o que não é difícil de entender, visto que não voltariam mais ao tempo e não se submeteriam aos antigos postos. Não estavam dispostas a voltar às suas condições de submissas.

Só então em 1977, as Nações Unidas reconhecem, oficialmente, o dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher, garantindo a elas os seguintes direitos: 1. Direito à vida; 2. Direito à liberdade e à segurança pessoal; 3. Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação; 4. Direito à liberdade de pensamento; 5. Direito à informação e à educação. 6. Direito à privacidade; 7. Direito à saúde e à proteção desta; 8. Direito a construir; relacionamento conjugal e a planejar sua família; 9. Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los; 10. Direito aos benefícios do progresso científico; 11. Direito à liberdade de reunião e participação política; 12. Direito a não ser submetida a torturas e maltrato.

A luta das mulheres por reconhecimento dentro da sociedade é constante. Ele não cessou com a escrita destes direitos. Eles devem ser novamente conquistados, a cada dia. No Brasil, por exemplo, a Constituição de 1988 incorporou no Artigo 5°, I, que “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. E no Artigo 226, §5° estabelece que “Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos pelo homem e pela mulher”.

A principal conquista que veio a partir do 08 de março de 1917 e foi se ampliando ao longo da história, foi o poder da decisão. Se elas dizem não, é não. E se elas dizem sim, vão à luta e conquistam o seu espaço. Nas profissões antes ditas masculinas, nos postos que exigem força física, emocional, também elas têm espaço. A mulher é quem constrói a sua vida da forma como considera melhor. Esta conquista não lhe poderá jamais ser retirada.