A diplomada do curso de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho, Ana Paula de Oliveira, conta que, no momento da sua escolha profissional, estava em atendimento psicológico e se encantou pela profissão. Após uma pesquisa sobre os campos de atuação do profissional e o mercado de trabalho, ela resolveu iniciar a graduação. Atualmente, ela é pós-graduada em Avaliação Psicológica e mestre em Biociências e Saúde pela Unoesc. Na entrevista, a seguir, ela fala sobre a trajetória profissional.

1) Qual o perfil que o mercado de trabalho exige do psicólogo?

O mercado de trabalho exige que o psicólogo desempenhe seu trabalho com ética, empatia e saiba trabalhar em equipe. O profissional precisa estar em constante aperfeiçoamento profissional e pessoal, além de ser atencioso. Outro ponto importante é a confidencialidade.

2) Quais os principais desafios que o psicólogo tem nos dias atuais?

Atualmente, eu trabalho no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que realiza prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. O trabalho no CAPS é gerador de uma mobilização intensa de emoções, que dificultam e paralisam, em alguns momentos, o desenvolvimento do próprio processo terapêutico.

As maiores dificuldades são a grande demanda, dificuldade de estabelecimento de vínculos com pacientes em crises ou surtos, falta de apoio da família e até mesmo apoio social, que alguns pacientes enfrentam. Porém, também é um trabalho muito gratificante, pois atuamos de forma a ressignificar vínculos, acompanhar e incentivar os usuários no processo de tratamento, orientação quanto aos riscos à saúde física e mental do uso abusivo e fortalecimento da autonomia dos sujeitos frente ao seu processo de tratamento. São diversas as ações realizadas para promoção do cuidado em saúde mental, por meio da equipe multidisciplinar, que busca a autonomia e a socialização do paciente.

 3) Em 2015, a sua pesquisa O lado obscuro da paternidade: pais que intencionalmente matam seus filhos”, foi selecionada entre as 10 melhores pesquisas de instituições de ensino superior do Brasil pela Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP).  O que essa premiação significa para você e qual a importância que essa pesquisa tem em sua carreira?

O prêmio tem como objetivo disseminar a produção do conhecimento e incentivar as pesquisas na área da Psicologia no Brasil. O prêmio serviu de incentivo para que eu continuasse a pesquisar, por isso escolhi fazer o mestrado. Além disso, a publicação do meu trabalho foi importante para a área acadêmica, profissional e pessoal.

 4) Você é mestre em Biociências e Saúde. Qual a importância do mestrado para a sua carreira profissional?  

O mestrado foi de grande importância para a minha atual atuação profissional. No ano de 2018, em razão de estar cursando o mestrado e realizando pesquisas relacionadas à área de saúde mental, fui chamada por um município da região para auxiliar na implantação do CAPS e atuar como psicóloga deste serviço. Hoje atuo em outro município na mesma área.

5) Quais pesquisas você teve a oportunidade de desenvolver no Mestrado?

Durante o mestrado, realizei minha dissertação que foi intitulada “Cuidado em saúde mental e características dos usuários de álcool e outras drogas”. A pesquisa teve o objetivo de analisar as características de usuários de álcool e outras drogas na região do Extremo-oeste de Santa Catarina, identificando como é realizado o cuidado em saúde mental nos Centros de Atenção Psicossocial.

Além disso, tivemos a oportunidade de publicar o trabalho intitulado “Sexualidade e Gênero: estudo com mulheres agricultoras num Ambulatório Regional de DST/HIV/AIDS”, no livro eletrônico “A Psicologia frente ao Contexto Contemporâneo”.

6) Qual mensagem você deixa para quem quer seguir a profissão de psicólogo?

Eu sou completamente feliz com a minha escolha profissional e por ter me formado na Unoesc, onde realizei minha graduação, pós-graduação e o meu mestrado. A mensagem que deixo para os futuros psicólogos é que aproveitem ao máximo a universidade, realizem pesquisas, envolvam-se e participem de eventos, conheçam a profissão e busquem estágios. Após formados, continuem buscando conhecimentos, não deixem de estudar, essa busca é incansável. Atualmente, são diversos os campos de atuação profissional e nada é mais gratificante do que poder ajudar uma pessoa em sofrimento.

Como afirma Walmir Monteiro: “E que eu possa ao final ser agradecido pelo privilégio de ter vivido para ajudar as pessoas a serem mais felizes. O privilégio de tantas vezes ter sido único na vida de alguém que não tinha com quem contar para dividir sua solidão, sua angústia, seus desejos. Alguém que sonhava ser mais feliz, e pôde comigo descobrir que isso só começa quando a gente consegue realmente se conhecer e se aceitar”.

 

Diplomada da Unoesc fala sobre a sua trajetória profissional como psicóloga