É bem provável que se você tem menos de 20 anos, nunca tenha manuseado uma máquina de escrever, objeto usado para a redação de diversos documentos. Nem saber que de tão importante que era, em muitos locais, seu uso tinha até um profissional específico chamado datilógrafo para operá-la.  Acontece que, o uso dessa máquina ficou obsoleto, isso por conta do avanço da tecnologia e tão logo, o profissional que a manuseava, ou passou a dominar teclados informatizados, ou ficou sem área de atuação. E é para falar sobre o avanço na tecnologia e seu impacto nas profissões que conversamos com o professor Ricardo Antonello, que além das formações ligadas à área também palestra sobre o tema.

De acordo com o professor, a tecnologia está influenciando em todos os sentidos o mercado de trabalho e cabe não só ao profissional que já atua, como também ao estudante que se prepara para escolher uma carreira, estar atento a isso.  Ele afirma que as presentes mudanças na maneira de trabalhar, de se comunicar, fazer negócios e se locomover, devem aumentar de forma ainda mais rápida com as melhorias da inteligência artificial e da “internet das coisas”, que é o termo usado para a conexão dos objetos usados no dia a dia à rede mundial de computadores.

— A automatização é certa e a substituição de humanos por softwares será cada vez mais rápida. Todas as profissões que não envolverem criatividade e inovação estão em risco — alertou o professor.

Na lista de profissões que tendem a desaparecer, estão as com funções repetitivas como operadores de caixas, frentistas de postos de gasolina, cozinheiros industriais, operadores de telemarketing, motoristas de táxi e caminhões. Além de analistas de investimentos, contadores, corretores de seguros, assistentes jurídicos e até piloto de avião. Isso, em aproximadamente 20 anos. O que se for parar para pensar nem está tão longe assim.

Por outro lado, haverá espaço para o novo. Quem trabalha ou se interessa pela área de desenvolvimento de softwares pode se destacar. Tendência também serão atividades envolvendo especialistas em inteligência artificial, em análise de dados (big data), em experiência do usuário e desenvolvedores de games. E se o grande “boom” das mudanças se deve também à internet, outras profissões que a utilizam, como por exemplo, professor online e os chamados creators (criadores), que são aquelas pessoas que vivem de produzir conteúdo para a internet e os também conhecidos como digital influencers (influentes digitais) podem se dar bem.

— Não dá para esquecer, dos “fazendeiros urbanos” que devem surgir com o aumento da conscientização do consumo e a necessidade de produção autônoma de alimentos orgânicos em áreas urbanas — completou Antonello.

Mas se a tendência é que nada fique do jeito que está por muito tempo, o que fazer enquanto profissional ou estudante?

— Ter habilidades como o inglês, um bom raciocínio lógico, ser capaz de analisar e resolver problemas rapidamente e principalmente, ter agilidade para aprender e absorver novos conteúdos fará a diferença. Ainda, diante desse cenário, cada vez mais é necessário um profissional dinâmico e flexível, que esteja em atualização constante estudando por toda a vida profissional — aconselhou Antonello que finaliza, destacando:

— O estudante deve escolher uma área que goste de trabalhar e estudar assuntos correlatos. Se o futuro profissional escolher uma profissão apenas por dinheiro ou influência dos pais vai, certamente, ter sérias dificuldades de manter sua motivação ao longo da carreira — encerrou.

 

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