Conversamos com o professor Geovani Rodrigo Scolaro, Doutor em Engenharia Biomédica e coordenador do curso de pós-graduação em Engenharia de Sistemas Computacionais Embarcados oferecido pela Unoesc campus de Joaçaba. O bate-papo foi justamente sobre o curso, que está encerrando as aulas da primeira turma e já está com as inscrições abertas para a segunda turma.

O que são sistemas computacionais embarcados?

Geovani – Sistemas Computacionais Embarcados engloba tudo o que você imaginar.  São sistemas microcontrolados que podem ser encontrados em vários tipos de produtos disponíveis no mercado, como geladeiras, máquina de lavar, smart tevês, smartphones, automóveis, aviões, dispositivos médicos, na indústria, entre outros. Um sistema computacional embarcado é composto por um microcontrolador e um software de gerenciamento, também conhecido como firmware. Ele é responsável por capturar informações do mundo exterior e transformar estes dados em informações, onde o próprio microcontrolador pode tomar as decisões e controlar um processo específico, transformando sinais analógicos, como uma temperatura, em sinais digitais – zeros e uns. Com esta informação, o microcontrolador pode monitorar continuamente um sensor de temperatura e ativar um ventilador, ou um exaustor para refrescar o ambiente, ou um aquecedor, caso esteja muito frio. O sistema computacional embarcado é isso, onde um sistema microcontrolado é construído para gerenciar e controlar um processo, ou, partindo para uma linha industrial, utilizando CLPs (Controlador Lógico Programável),  projetados para comandar e monitorar máquinas ou processos industriais, sendo este dispositivo um dos principais responsáveis pela automação da industria moderna.

 

Ligado a que área do conhecimento?

Geovani – Área das ciências exatas e tecnológicas, mais especificamente Engenharia de Computação.

 

Onde trabalha um profissional desta área?

Geovani – O mercado oferece diversas áreas de atuação, no que diz respeito ao projeto e desenvolvimento de sistemas embarcados. A criação de aplicações para smatphones é um exemplo de nicho de mercado que está em alta. Outra área bastante difundida é em relação ao desenvolvimento de sistemas computacionais voltados para automação de processos e troca de informações pela internet, também conhecido como Internet das Coisas. Para trabalhar com esse tipo de dispositivo é necessário ter um conhecimento prévio de como um microcontrolador funciona e quais são os principais processos que ele controla. Uma área bastante explorada hoje e com escassez de profissionais para atuação no desenvolvimento de sistemas e de tecnologias de alto nível voltadas para a saúde, o que envolve equipamentos médicos e sistemas de apoio ao diagnostico. Para esta última, foi criada uma disciplina no curso que proporciona um conhecimento diferenciado em relação a esses equipamentos, e também são abordadas boas práticas para o desenvolvimento de sistemas com qualidade e segurança que o mercado exige. Dessa forma, o pós-graduando terá a possibilidade de adquirir o conhecimento necessário para atuar nessas e em outras áreas que envolvam sistemas embarcados.

 

Aqui na nossa região, tem alguma empresa que trabalha com isso?

Geovani – Não. Iniciamos o desenvolvimento de tecnologias para a área médica aqui na universidade, através de linhas de pesquisa específicas. Além de nós, apenas os grandes centros. Na nossa região trabalha-se mais em aplicações para a área industrial, na linha de produção. No entanto, com os laboratórios que foram criados aqui na universidade, os alunos da pós terão a oportunidade de trabalhar com aplicações que envolvem tais áreas, bem distintas uma da outra.

 

Vocês chegam a ter alguma ação dentro destas empresas ou consultoria?

Geovani – Na verdade, os alunos tem esse tipo de experiência quando está cursando a graduação, através de estágios e dos trabalhos de conclusão de curso. Na pós-graduação são egressos que já estão atuando nessas empresas e querem aperfeiçoar e obter novos conhecimentos.

 

Qual o diferencial do curso?

Geovani – O curso é inovador por abordar temas atuais e por fornecer tecnologias de ponta para o aprendizado do aluno. Os laboratórios existentes foram reestruturados e foi criado o laboratório de automação, único na região que conta com plantas que simulam todo o processo de manufatura encontrado nas indústrias, um braço robótico similar aos encontrados em linha de produção, bem como, outras plantas que simulam processos específicos de controle observados na indústria. Outro diferencial é em relação ao desenvolvimento de equipamentos microcontrolados encontrados no mercado, entre eles os dispositivos médicos. O aluno da pós terá a oportunidade de ter o contato com tecnologias específicas para o desenvolvimento desse tipo de equipamento, bem como, os cuidados necessários com a segurança e o atendimento das normas técnicas necessárias, pois o projeto de dispositivos como esse, difere dos dispositivos projetados para as demais aplicações existentes no mercado, como por exemplo, dispositivos utilizados na automação de processos. Os alunos da pós poderão estar observando essas diferenças na prática, pois todas as aulas são práticas, com os alunos colocando a mão na massa.

 

Por acaso o professor tem vídeos das aulas, para podermos ilustrar?

Claro. Tenho três vídeos que podem exemplificar bem o que estamos conversando. Em um deles, estamos demonstrando o sistema desenvolvido para aplicações industriais. Em um segundo, demonstrando a captação dos batimentos cardíacos e um terceiro mostrando o interfaceamento entre sensores e atuadores. Com isto podemos visualizar melhor tudo o que estamos conversando. (confira, no final da entrevista, os vídeos em destaque)

 

Onde há oferta desta linha de pesquisa?

Geovani – No estado, só existe uma instituição que efetivamente trabalha com todas as linhas de pesquisa que abrange a engenharia biomédica, que é o Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Santa Catarina (IEB-UFSC), em Florianópolis. No Brasil, é oferecido ainda em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, entre outras e agora aqui em Joaçaba. São poucos os centros que tem a oportunidade de estar ensinando este tipo de tecnologia, tornando a UNOESC pioneira na região.

 

Vocês trocam informações com outros cursos como Medicina, Educação Física, Fisioterapia?

Geovani – Sim, temos feito muitas parcerias com professores de diversas áreas, pois para o desenvolvimento de equipamentos para a saúde, devemos ter uma equipe multidisciplinar, várias pessoas contribuindo para a resolução de problemas específicos. Com o desenvolvimento de pesquisas voltadas para a reabilitação, ambicionamos, futuramente, fazer parceria com o HUST para aplicar efetivamente as tecnologias que estão hoje sendo criadas.

 

A aplicabilidade da pós-graduação em Sistemas Computacionais Embarcados está em todas as áreas também?

Geovani – O que a gente está desenvolvendo aqui pode ser usado em diversas áreas (mostra uma placa que foi desenvolvida especialmente para a pós-graduação). Esse dispositivo é a base de um equipamento médico de aquisição de sinais. Com ela conseguimos capturar os sinais elétricos produzidos pelo coração, pelo olho, quando ele mexe, ondas cerebrais, quando executamos determinada ação. Podemos utilizar este mesmo circuito base em outras aplicações, como por exemplo, na biologia para o monitoramento dos sinais elétricos ou biopotenciais de cobaias, na fisioterapia para o monitoramento e reabilitação de pacientes e atletas, entre outras aplicações. (Mostra um circuito desenvolvido especialmente para a Feira das Profissões). Como eu trabalho com esta parte de sinais, eu desenvolvi uma interface para a captura de sinais dos músculos. Isso aqui é a base de uma prótese mioelétrica/mecânica. Imagine que a pessoa perdeu uma parte do braço. A parte restante (coto) continuará produzindo sinais elétricos que poderiam movimentar o membro faltante. Podemos interceptar esses sinais fixando eletrodos de superfície, os mesmos que são encontrados em próteses, para capturar e interpretar esses sinais, convertendo-os em movimentos. Com o ato de mexer a mão, os sinais podem ser imitados em um dispositivo mecânico (mostra uma garra eletrônica).

 

Quais os cursos habilitados para fazer esta pós-graduação?

Geovani – Engenharia de Computação, Engenharia Elétrica, Engenharia de Controle e Automação, Ciências da Computação e Sistemas da Informação. São os cinco cursos que compõe a primeira turma, cujas aulas terminaram no dia 16 de abril.

 

A pessoa que vem de outra área destas que estamos abordando, não se enquadra no curso?

Geovani – Infelizmente não, devido a falta da base tecnológica, que envolve a parte lógica do desenvolvimento de software, a parte da eletrônica embarcada, entre outros fatores. Dessa forma, o curso da pós é direcionado para as áreas afins das engenharias de computação e elétrica.

 

AplicaçõesIndustriais9
microcontrolador
InstrumentaçãoBiomédica
Interface_prótese
prótese

 

Confira alguns vídeos:

 



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar algumas tags HTML e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>