Muito se ouve falar em marketing de relacionamento, branding e meios para captação de leads nesta era de plena informatização, onde o on-line toma a cena global como grande parte da solução para empresas, empregos e para o próprio Marketing.

Certamente, não posso deixar de admitir que a tecnologia nos fez evoluir para seres de alta conectividade, sendo que “postar”, “curtir” e “compartilhar” já podem ser considerados sinônimos de existir e ter valor.

Não sou crítico das ferramentas tecnológicas em si, mas de algumas formas de agir com as modernas plataformas, sobretudo na comunicação, visando suposta eficiência e certeza de bons resultados, sem precisar se envolver sensivelmente com o cliente, sem precisar sair do escritório, ou mesmo da própria casa. Grande vantagem!

Mesmo principiantes no mundo cibernético, consideramo-nos em tantos momentos especialistas do mundo virtual, dos desejos e sensações das pessoas conectadas. Afinal, tantos perfis existem nas redes para termos a sensação de certeza sobre tudo e todos. Não é mesmo? Nosso crescente entendimento sobre os meios de comunicação virtuais nos está deixando confiantes demais, e há perigo nisso.

Apesar de todos os avanços, o Marketing (positivo) que acredito ainda anseia por questões aparentemente simples, que vêm da Filosofia, como: “o que as pessoas desejam para serem felizes?”. Assim, o Inbound Marketing e outros meios mais tradicionais, anseiam descobrir o que deixa as pessoas felizes e satisfeitas, para se vender bens de consumo físicos ou não. No final, a questão é a felicidade: o que faz as pessoas felizes, apesar dos seus problemas, da corrupção, das injustiças, apesar delas mesmas?

Por isso, esse Marketing-filósofo que se debruça seriamente sobre as questões intrínsecas do conceito de felicidade, que quer entender, mesmo que imperfeitamente, quem está do outro lado da tela, do balcão, da rua… continua sendo eficiente. Indo além, ainda, ouso dizer que o Marketing é um estudo, sobretudo, de autoconhecimento, pois antes de querer falar a língua dos outros é preciso entender a si mesmo, conhecendo a fundo sua própria linguagem.

Acredito no Marketing que caminha nas ruas, sentindo os cheiros, ouvindo os sons, degustando os sabores, respeitando tudo isso e não apenas estabelecendo julgamentos a partir de números advindos de uma incrível e nova ferramenta que permite segmentar como nunca os clientes potenciais.

Seria muito nobre darmos um pouco mais de humanidade para o Marketing, um pouco mais de nossa própria personalidade, de nossa satisfação em querer conhecer o que nunca conheceremos perfeitamente: nosso próprio Market Share.

Penso que o ato de sermos considerados especialistas em alguma coisa não nos dá o direito de subestimar tantas variáveis existentes neste mundo, nos outros, em nós. Por mais sábios que possamos ser, nunca teremos pleno controle sobre os inúmeros impactos do nosso trabalho. Assim, não é vergonhoso admitir que somos buscadores de bons momentos profissionais (bons cases) e não de absoluto e eterno sucesso. A relatividade é um atributo natural e cultural crucial, pois faz com que as coisas sejam realmente interessantes.

Quando sensibilizamos nossas práticas de Marketing, imprimindo nossos sentidos nelas, entendemos que as coisas simples são, geralmente, as mais eficientes e preenchem melhor certas lacunas do mercado, e quando conseguimos satisfazer nosso cliente, mesmo que em partes, sentimo-nos bem: o sublime gosto do trabalho bem feito. E o melhor é quando percebemos que o resultado positivo veio, de fato, do nosso trabalho, e as ferramentas foram apenas ferramentas neste processo. Nisso, vamos tecendo conhecimento sobre nossas ações, nossas relações profissionais e nossa capacidade de perceber que bons resultados são frutos do mix: vontade, sentidos, realidade e “cabeça aberta”.

Por fim, sinto-me à vontade para citar o imortal Friedrich W. Nietzsche, que em sua obra “Para além do bem e do mal” nos adverte sobre o poder dos sentidos. Segundo ele, “É só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda evidência da verdade”.

Bom trabalho!

 

 

  Tiago de Matia é graduado em Filosofia pela PUC-SP, pós graduado em Comunicação Semiótica pela USP e University of Toronto, no Canadá. Atua como Gerente Geral de Marketing e Comunicação na Unoesc.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar algumas tags HTML e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>