Atitudes e comportamentos em sala de aula, onde e de que forma a escola pode atuar para obter melhor resultado nas relações interpessoais e aproveitamento do aluno? Qual o papel da família nesse contexto? As tecnologias mais ajudam ou atrapalham a relação família/escola/aluno?
Para entender melhor essa situação, a psicopedagoga do Colégio Superação da Unoesc Videira, Marlene Fabris, explica como a instituição media esse processo.

 

Dentre os tantos papeis que a escola vem desempenhando para o desenvolvimento global do ser humano, qual você destaca como fundamental?

O papel fundamental da escola é trabalhar conhecimentos, construir conceitos para colaborar no desenvolvimento de competências para a aplicação destes. Porém, a escola hoje assume muito mais funções, afinal é no ambiente escolar que o aluno começa a se organizar, a elaborar e se estruturar individualmente no processo da aprendizagem, na complementação formação moral e ética advinda da família, envolvendo o contexto social e econômico deste aluno com outros contextos dentro do grupo que se insere. Ao mesmo tempo, esse indivíduo busca se autoafirmar como cidadão e conquistar seu espaço social nesse contexto, o que trona esse papel ainda mais complexo.

 

 

 

E nesse processo, qual é o papel da família?

Com base no informativo do portal da Escola que diz: “Esta parceria, baseada na cooperação, no respeito e na confiança, é imprescindível para o sucesso da educação dos nossos jovens, uma vez que nossos objetivos são comuns: a formação do caráter, a construção de conhecimentos e a autorrealização de cada um deles”, acredito na família como nossa maior parceira, afinal ambos, escola e família fazem parte do processo formativo educacional e social.

 

 

Como a escola deve trabalhar as questões comportamentais das crianças?

Quando o aluno chega à escola, traz de casa os valores em que a família acredita. Mas, muitas vezes, percebe-se a prática de comportamentos inadequados, compreensíveis, até porque estes alunos ainda em formação, na interação com o “outro” se deparam com valores diferentes dos aprendidos em casa. Nesse processo de formação da personalidade e da conduta, o aluno apresenta comportamentos, às vezes, agressivos ou ofensivos ao colega. Nesse caso, a escola adota a conduta de dialogar com o aluno sobre seu comportamento. O que, na maioria das vezes, resolve. Caso haja reincidência do comportamento, os pais são chamados e comunicados sobre o ocorrido, ouvindo-os e também orientando-os de como agir diante da situação, sempre respeitando os princípios determinados pelo regimento escolar.

 

Quais atividades ou ações são desenvolvidas na escola para colaborar nesse sentido?

Há muito tempo, a escola tem adotado estratégias de conscientização em sala de aula, em que cada professor aplica a técnica que mais se aproxima do perfil de seus alunos. Uma das estratégias utilizada nas Séries Iniciais, por exemplo, é o uso do mural de cartões com as famosas “carinhas” feliz, triste, pensativo, representando a conduta apresentada pelo aluno. Para alguns especialistas essa técnica pode, de certa forma, constranger o aluno perante a turma, mas muitos outros, assim como nossa equipe pedagógica, acreditam que como o ato foi feito dentro do grande grupo e comprometeu de alguma forma o bom andamento das atividades e das relações, além de os próprios colegas cobrarem uma postura disciplinar, percebeu-se não ser uma medida vexatória, mas sim de reelaboração de conceitos éticos em que o aluno terá a chance de conquistar a carinha alegre, o que significa que ocorreu a internalização do conceito. Nas Séries Finais, trabalhamos com palestras, dinâmicas de grupo, vídeos, entre outros, sempre direcionados a cada modalidade de situação apresentada pela turma. Lembrando que tudo é supervisionado pelos professores e coordenação pedagógica.

 

 

 

Que resultado se conquista ao trabalhar o que é certo ou errado?

Para trabalhar valores nunca é cedo, pois em casa, o aluno já é orientado a seguir regras de convivência com os irmãos, pais, avós, vizinhos. Quando ele é inserido no contexto escolar, é também oportunizada a elaboração de regras de convivência na sala de aula e nas atividades extrassala. É um ótimo momento para o aluno praticar os conceitos aprendidos em casa; afinal, a escola é a extensão do ambiente familiar. Assim, pode-se perceber a importância de limites e discernimento do certo e do errado na formação da personalidade e para a relação estabelecida entre eles.

 

A família, em um contexto geral, é receptiva quando ocorre algum problema em relação aos filhos no ambiente escolar?

Em nossa escola, percebemos que os pais são parceiros neste quesito. Percebemos, nesses anos de atuação, que a aceitação depende de como a escola dialoga com a família. Procuramos deixar sempre claro, que não se trata de uma forma de punição e, em nossas conversas, demonstramos a preocupação em colaborar com a formação de seus filhos, os quais logo farão parte de um contexto social mais abrangente, fora dos muros escolares.

 

 

Como a escola lida com questões disciplinares?

Priorizam-se os princípios organizacionais escolares como uma sociedade em que o sujeito já traz consigo sua história de formação ética e moral. Para isso, é necessário ter em seu regimento escolar bem definido quais sansões cabem a cada comportamento inadequado.

 

Como você vê os tempos atuais em que a tecnologia domina. O celular e a TV, entre outras tecnologias, dificultam ou facilitam as relações entre professor e aluno.

Eu acredito que as tecnologias e excesso de informações disponíveis nas redes podem trazer vantagens e muitas desvantagens. Por exemplo, ao fazer uma pesquisa, o aluno encontra muito material e a dificuldade está em filtrar o que é confiável, o que é científico e organizar e sintetizar essas informações.
É preciso ter cuidado com esse mundo virtual que é sinônimo de sucesso e de beleza, como se a vida real também não fosse feita de insucessos, tristezas e de frustrações. O ser humano precisa aprender a lidar com esses desafios para que em todas as fases da vida tenha condições de enfrentar e resolver problemas sendo resiliente. Para o professor, as tecnologias são ótimas ferramentas, quando bem utilizadas, fazendo a aula mais atrativa, com ilustrações reais, dinâmicas e interativas.

 

Quando a família não consegue acompanhar o filho como deveria, qual é a atitude da escola?

A escola está cada vez mais tendo atribuições, além da aprendizagem por motivos variados. Percebemos que os pais gostariam de acompanhar, orientar e participar mais da vida do filho, mas por vários motivos não conseguem atender todas essas necessidades, e é nesse contexto que, muitas vezes, a escola exerce mais esse papel na formação das relações afetivas, com base no respeito da individualidade, na interação com o outro e na formação emocional do indivíduo. Mas, mesmo que não se tenha tempo em quantidade para acompanhar os estudos dos filhos, em casa, por exemplo, ao menos que quando dispuserem de algum, o façam com extrema qualidade, de preferência, sem aparelhos celulares e sem tevê ligada, interagindo da melhor maneira. Isso, certamente será um diferencial importante na formação desse indivíduo.

 

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