Com frequência, meus alunos questionam o porquê de minha opção profissional pelo magistério em Letras. Em minha justificativa, sempre pontuo três aspectos principais (entre muitos outros que poderia destacar): a paixão pela língua portuguesa, a paixão (sem redundância) pelo ato de ensinar-aprender e o desafio de mover as pessoas, particularmente crianças e jovens, para a conquista de sua cidadania.

Acredito que os dois primeiros aspectos entram em um foro subjetivo e muito particular. Mas o terceiro, que envolve mover as pessoas, impõe algumas reflexões que começam no dia em que decidi por ser professor.

 

Muito jovem, tive a oportunidade de experimentar esse desafio de fazer os pequenos (leia-se alunos do ensino fundamental) gostarem de manejar habilmente sua expressão, de forma a fazerem seus discursos e serem reconhecidos por eles.

 

Um pouco mais tarde, por contingências pessoais e profissionais da época, realizei um dos meus sonhos de vida: cursar Letras, nesta mesma instituição que, um pouco depois, me acolheu como seu profissional. E lá se vão 20 anos… A partir desse momento, um banco perdia um bancário, e a educação ganhava um apaixonado professor.

 

Esse pequeno histórico torna-se importante para compreender que é na trajetória histórica que o profissional constitui-se. E o que isso tem a ver com o ser professor e sua inseparável missão de mover as pessoas?

 

Sim, a resposta está no próprio curso de Letras. Apesar do cenário aparentemente pessimista, que parece afugentar o profissional de sua nobre missão, precisamos (e aqui falo não de uma instituição, não de uma região, não de um estado, mas sim de uma nação!), cada vez mais, de novos e dispostos professores para atuarem nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura. E, nesse ponto da argumentação, geralmente surge um novo questionamento: vale a pena ser professor?

 

Novamente, a resposta é positiva. Afinal, no curso de Letras, o futuro professor da área aprende muito sobre aquilo que envolve essa fantástica e maravilhosa área — a linguagem —, desde as questões que atravessam a Ciência da Linguagem, passando pelas normas que legislam nosso idioma pátrio até os temas que envolvem as literaturas — brasileira e portuguesa.

 

Além disso, com os estágios profissionais, o acadêmico, futuro profissional, insere-se em um mundo fantástico, no qual ele coloca seu conhecimento e experiencia, numa prática transformadora, a mágica arte de ensinar-aprender um idioma apaixonante.

 

A partir desses estudos, conforme as fases do curso avançam, e o acadêmico avança em seus conhecimentos, a paixão instala-se. E depois de instalada (como sugere aquela famosa publicidade de cartão de crédito), ela “não tem preço”, transforma-se em uma razão de vida.

 

Justamente com essa reflexão, pretendo terminar essa breve argumentação sobre o ato de mover as pessoas inerente ao profissional de Letras. E finalizo fazendo um convite àqueles que ainda estão em dúvida sobre seu futuro profissional: desafie-se a participar desse importante momento de transformação na vida das pessoas, sendo também um professor de Língua Portuguesa. Certamente, depois de alguns anos no magistério, refletindo como ora faço aqui, você terá a certeza de que sua vida ajudou a mover as vidas de muitas pessoas, todas gratas pela cidadania conquistada através dos discursos que você ajudou a moldar…

 

Professor Ulisses Junior Longhi (ulisses.longhi@unoesc.edu.br) é Mestre em Linguística pela UFSC e professor do curso de Letras da Unoesc Xanxerê.

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