Diplomado da Unoesc fala sobre sua carreira como professor de Educação Física

 

O professor Ivan Atolini graduou-se em Educação Física, em 2003, na Unoesc Xanxerê. Após, fez duas pós-graduações, em nível de Especialização, em Fisiologia do Exercício (2004) e Gestão de Academias (2009). Multifunção, além de atuar como professor municipal de Educação Física, atualmente ele está à frente do Clube de Basquete de Xaxim (que coordena desde 1996), gerindo uma associação com 120 atletas, entre as categorias sub-10, sub-12, sub-13 e adulto, e da Fit Total Academia. Nesta entrevista, o professor conta um pouco de seus tempos de estudo no campus de Xanxerê — conforme ele, ainda saudosos — e relata como é conciliar a administração de uma academia com suas atividades de professor de Educação Física, além de dar dicas para quem pretende se destacar na área.

1) O que o levou a cursar Educação Física? E depois que você se formou na Unoesc, como foi a sua trajetória no mercado de trabalho?

O fato de eu ser atleta de basquetebol me inspirou a cursar Educação Física, para trabalhar depois como técnico — minha meta, até os 26 anos de idade, era ser técnico da Seleção Catarinense de Basquete, categoria de Base, o que alcancei mais tarde. Mas com a graduação concluída, minha vida profissional tomou outros rumos: eu consegui efetivação, como professor de Educação Física, na Prefeitura de Xaxim, em 2006. Mas antes ainda, em 2004, fui convidado, pelo professor Paulo Pagliari (coordenador do curso de Educação Física na Unoesc Chapecó), para ser sócio na sua academia. Além disso, nesse período, eu ainda mantinha uma escolinha de voleibol particular. Como professor, trabalhei em várias escolas do município de Xaxim.

 

2) Quais as oportunidades que o mercado de trabalho oferece ao profissional de Educação Física?

São muitas. Nas escolas, o professor, por atuar em uma disciplina diferenciada e trabalhar com a afetividade e o desenvolvimento social, torna-se muito conhecido. Posso afirmar que aprendi muito com os colegas de trabalho e com as crianças. Amadureci bastante depois de formado. Acredito que, fazendo um bom trabalho tive a oportunidade de atuar com as escolinhas de vôlei e na academia. Hoje, a ginástica é um campo pouco explorado. Vejo que o professor, nessa área, pode motivar os alunos para diferentes atividades (personal, musculação, emagrecimento, recuperação física, entre outras), além de trabalhar com a terceira idade, o que é muito gratificante. Depende o público que o profissional pretende trabalhar, mas as oportunidades são diversas.

 

DIPLOMADO XANXERE 1

 

3) Para um profissional formado em Educação Física é fundamental ter especialização?

A continuação dos estudos após a graduação é fundamental. A continuidade na formação é imprescindível para quem quer ter sucesso na carreira. Além disso, destaco a humildade para sempre estar buscando o conhecimento. Acredito que o título (diploma de graduação) seleciona, mas a busca constante é importante. Enumero algumas características que considero fazerem parte do profissional da área: ser comunicativo, responsável, flexível às adversidades e perseverante, tendo metas claras em curto, médio e longo prazos.

 

4) Como surgiu a oportunidade de gerir uma academia? Teve muitas dificuldades no início?

Foi uma grande oportunidade que impactou bastante a minha vida profissional. Durante a graduação, os professores já alertavam que ‘a oportunidade virá, mas você precisa estar pronto’. Assim, após o convite do professor Paulo, precisei largar a escolinha de vôlei e assumir a gestão da academia. Muitas vezes, na universidade, não estudamos a fundo essa questão da gestão. Assim, tive dificuldades iniciais no aspecto de liderança, no gerir o marketing da empresa. Para resolvê-las, fiz algumas pesquisas de mercado, pensando nos aspectos que faltavam. Hoje, manter uma academia demanda muita responsabilidade, pois além dos funcionários (20 profissionais) e dos alunos (cerca de 400), somos fiscalizados pelo Cref (Conselho Regional de Educação Física), pela Vigilância Sanitária e pelo Corpo de Bombeiros. Também pagamos o Ecad, por causa das músicas que são sonorizadas no ambiente. Acredito que tem valido a pena esse desafio que, atualmente, ocupa 70% do meu dia profissional — nos outros 30%, continuo atuando na Prefeitura, como professor efetivo. Atualmente, temos uma filial da Academia em Cordilheira Alta (município vizinho), com um outro sócio. Enfim, sinto-me realizado com a academia, por ver nossos alunos felizes e cheios de energia, mesmo o momento econômico não sendo favorável para essa atividade.

 

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(A Fit Total oferece musculação, personal, zumba, treinamento funcional, muay thai, pilates e jiu-jitsu, além de avaliação física com nutricionista e Cantina Fitness, em um espaço de 1.300 metros quadrados)

 

5) Você teve algum sonho acadêmico que não realizou?

Hoje, posso afirmar que não. Consegui ser bicampeão brasileiro da Seleção de Base de Basquete (sub-15), formando vários atletas para a Seleção Catarinense e a Brasileira. Na graduação, tive a oportunidade de fazer intercâmbio, em 2002, no Canadá, por ter recebido o prêmio Mérito Universitário Catarinense. A partir dessa viagem, percebi que poderia realizar qualquer projeto. Também realizei um outro grande sonho: atuar como professor na Unoesc, onde me formei, de 2008 a 2011, lecionando o componente de Basquetebol. Hoje, também atuo como professor em uma faculdade da região, já há quatro anos. E, ainda para este ano, pretendo desenvolver um projeto social com implantação de escolinhas de vôlei, basquete e futsal.

 

6) Como você se imagina daqui a 10 anos?

Continuando a lutar pela valorização da profissão. Temos projetos para consolidar a academia, que existe desde 2000, com os melhores aparelhos, sempre reinventando o ambiente de acordo com o público, que muda suas aspirações. Também estar com o mesmo entusiasmo para levantar todas as manhãs e auxiliar as pessoas a alcançarem seus objetivos. Hoje, início as atividades às seis da manhã e só paro à meia-noite, conciliando a rotina da academia com o basquete e minhas atividades de professor municipal.

 

7) Quais as boas lembranças que você tem do tempo de estudos na graduação?

Tenho saudades das atividades práticas que os professores faziam, procurando trazer o que havia de mais atualizado, mostrando que Educação Física não era só esporte na escola. Naquele tempo, aprendemos muito entre os colegas, pois vários já atuavam na área. Se vocês me permitem, quero aproveitar este espaço para incentivar a todos que querem trabalhar como profissionais de Educação Física. Desde 1999, muitas pessoas diziam que já havia muitos professores da área. Porém, sempre observo que o profissional de Educação Física que buscar excelência no que faz, sempre terá espaço destacado no mercado.

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