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Walmor Dresch Ströher formou-se em Odontologia, na Unoesc, em 2005. Especialista em Saúde da Família e Prótese Dentária, Walmor tem um consultório particular no centro de Joaçaba e é o atual secretário de Saúde do município de Luzerna. À primeira vista, pode parecer que todas essas conquistas foram fáceis e rápidas. Pelo contrário! Como todo cirurgião-dentista, Walmor encontrou pela frente alguns desafios antes de alcançar o sucesso profissional. Nesta entrevista, ele comenta sobre a realidade do mercado de trabalho e dá dicas para quem está se formando.

 

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1) Depois que você se formou na Unoesc, como foi a sua trajetória no mercado de trabalho?

Após o término do meu curso, eu não comecei a trabalhar de imediato. Fiquei seis meses elaborando o projeto do meu consultório e estudando para concursos públicos. Consegui abrir a minha clínica odontológica com outro dentista e fui aprovado em um teste seletivo para Luzerna. Com o tempo, comprei a parte do meu amigo no consultório, onde atuo até hoje, fui o coordenador de Saúde Bucal de Luzerna e hoje ocupo o cargo de secretário de Saúde do município.

 

2) Quais as oportunidades que o mercado de trabalho oferece ao cirurgião-dentista?

Após a formação acadêmica, há três caminhos principais para exercer a profissão. O primeiro é trabalhar na iniciativa privada, podendo ser um funcionário de uma clínica, ou um prestador de serviços para outros cirurgiões-dentistas, ou, ainda, abrir o próprio negócio. O segundo caminho é atuar no setor público. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos grandes empregadores do cirurgião-dentista. E o terceiro caminho é o meio acadêmico, é continuar na área da pesquisa, fazer um mestrado, depois doutorado e se tornar um professor universitário.

 

3) Você acredita que o mercado de trabalho está saturado?

Hoje, o mercado odontológico, assim como os outros, está saturado. Mas independente desta realidade é possível sim se inserir no mercado de trabalho. Conseguir ou não um emprego depende muito mais da atitude e do comportamento de cada um. Para quem pretende seguir a carreira no setor privado, o retorno financeiro será a longo prazo. É preciso construir uma afinidade com as pessoas e fazer um trabalho bem feito, até conseguir uma rede de clientes. E serão eles os principais divulgadores do seu trabalho, através da indicação boca-a-boca para outras pessoas. Já aqueles que querem um concurso público, o profissional não pode se iludir pensando que essa carreira é só uma garantia do salário no final do mês, hoje é preciso cumprir metas e buscar a visão e ideologia da saúde pública.

 

4) Para um profissional formado em Odontologia é fundamental ter especialização?

Quem acaba de se formar sempre tem esta dúvida: será que fico na Clínica Geral ou busco uma especialidade? Hoje, no mercado que nós temos, é muito difícil o cirurgião-dentista sobreviver de uma única especialidade. Além da quantidade de profissionais formados, o paciente não vai procurar um consultório para cada tipo de tratamento que irá fazer. O mercado exige profissionais mais completos e, é claro, bons clínicos gerais que tenham a capacidade de diagnosticar os problemas básicos. Depois da formação acadêmica, é importante também a realização de cursos de atualização, por conta da tecnologia dos materiais dentários desenvolvidos e dos novos procedimentos e tratamentos de reabilitação bucal. Em um pequeno intervalo de tempo, a indústria tem desenvolvido materiais novos e excelentes. Temos que ficar atentos a essa evolução. No mínimo dois ou três cursos por ano a gente faz para atualizações nos mais diversos segmentos da nossa área.

 

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5) Foi fácil montar um consultório?

Não é fácil montar um consultório, exige do cirurgião-dentista o lado empresarial. Ter uma empresa de pequeno porte tem todas as questões legais e burocráticas. Não é somente a parte técnica, uma boa cadeira, uma boa equipe, bons materiais, mas também uma boa logística de funcionamento da parte legal e da prestação de serviço, analisando o faturamento e o rendimento da clínica. Mas a gente aprende com a prática, com o tempo. No setor privado, o cirurgião dentista ora é a mão-de-obra, ora é o gestor do seu local de trabalho.

 

6) Você teve algum sonho acadêmico que não realizou?

Na minha época eu teria dado um jeito de fazer intercâmbio. É um sonho que até hoje eu não consegui realizar por conta dos vínculos pessoais e profissionais, que não me permitem ter essa mobilidade de ir para fora do país. Mais do que aprender ou aprimorar um idioma, o intercâmbio é uma oportunidade para ampliar os horizontes na vida prática dentro da profissão. É uma grande experiência aprender uma metodologia diferente da aplicada aqui, isso contribui com a formação acadêmica e é um grande diferencial da universidade.

 

7) Como você se imagina daqui 10 anos?

Eu espero que a minha clínica esteja ativa e com maiores frutos. Quero continuar trabalhando, proporcionando às pessoas um sorriso mais bonito e contribuindo para a saúde bucal. Espero também ter mais tempo para o lazer e reduzir mais o meu ritmo, hoje eu trabalho cerca de 16 horas por dia, então, eu espero fazer oito horas, o normal.

 

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