Falta um mês para o vestibular de Inverno da ACAFE e na reta final para esse dia tão esperado as emoções que acompanharam os estudantes ao longo da preparação tendem a se intensificar. E não poderia ser diferente, afinal, a prova estabelece o rumo da construção da carreira profissional, um momento carregado de responsabilidade e expectativa.

Para entender um pouco mais sobre que tipo de emoções podem ser vivenciadas e como elas influenciam conversamos com a Psicóloga e Coordenadora do Curso de Psicologia da Unoesc Joaçaba, professora Scheila Beatriz Sehnem, que também deu dicas que podem auxiliar no autocontrole em busca de um bom desempenho.

Como as emoções influenciam nos estudos/aprendizado?

Segundo a neurociência as emoções exercem influência direta no aproveitamento escolar dos indivíduos. Para entender esta relação, precisamos levar em consideração o fato de sermos seres humanos, munidos de cognições; sentimentos; emoções; ações e reações que caracterizam a nossa individualidade. Toda essa bagagem é transferida para os novos conhecimentos agregados ao longo da nossa existência. Dessa forma, pode-se afirmar que as áreas da cognição (memória, atenção e raciocínio) são afetadas pelas emoções.

A aprendizagem para ser eficaz e duradoura, precisa despertar no sujeito um significado, o qual, precisa gerar uma emoção positiva, despertando um maior interesse no assunto e favorecendo a aquisição do conhecimento. Porém, quando esta emoção é negativa, haverá alteração na atenção; concentração; memória e outras funções cognitivas, interferindo diretamente na aquisição de uma nova aprendizagem e podendo inclusive gerar no indivíduo o chamado “branco” em provas ou atividades escolares.

Que tipo de reações o estresse e a preocupação podem desencadear no estudante?

Muitos estudantes são submetidos constantemente ao estresse de provas; avaliações; cobranças familiares, sociais e inclusive pessoais na busca por uma excelência em seu desempenho. Estas pressões em muitos casos podem gerar um estado de ansiedade patológica extremamente prejudicial ao desempenho acadêmico. A ansiedade pode gerar sentimentos de solidão; insegurança e incapacidade, podendo desencadear inclusive alguns transtornos psicológicos, como a depressão e transtorno do pânico.

Quando desenvolvemos uma ansiedade patológica, por exemplo, nossa capacidade de atenção e concentração diminui, comprometendo nossa capacidade de absorver novos conteúdos e reter novas informações, interferindo em nosso rendimento escolar. Neste sentido, estudantes expostos a situações de estresse, liberam em seu organismo um hormônio chamado cortisol que tem o objetivo de prepará-lo para lidar com ações de perigo ou de alerta de maneira eficaz. Assim, nossas funções mentais superiores ficam focadas neste estado de alerta e dificultam a utilização daquelas no processo de reter e compreender novas aprendizagens.

Como lidar com a ansiedade?

Precisamos entender que a ansiedade não é necessariamente ser um problema em nossas vidas, ao contrário, pode ser nossa aliada. Mas o que observamos é que as pessoas de um modo geral acabam perdendo o controle sobre a ansiedade, permitindo que ela interfira no seu equilíbrio físico; mental e emocional. Quando isso acontece, é o momento de procurarmos ajuda, muitas vezes profissional. A prática de: atividade física moderada, alimentação saudável, equilíbrio na distribuição do seu tempo às suas atividades (estudo, lazer, trabalho), dormir bem, manter o foco no presente, técnicas de relaxamento e respiração, servem como grandes aliados no controle da ansiedade.

Faltando um mês para a prova é aconselhável intensificar a maratona dos estudos ou relaxar?

Não há sorte em vestibular, precisamos reconhecer que há estudo, dedicação, organização e disciplina e entender que a mente precisa de estímulos diários, portanto, querer intensificar os estudos na reta final não efetivará o aprendizado, ao contrário, levará o sujeito a exaustão gerando mais estresse do que aprendizado.

Os alunos que já vem em um ritmo de estudo devem mantê-lo (sem intensificar), mas atenção, na véspera e no dia da prova o momento é para relaxar e se preparar mentalmente para o momento da prova.

Quais as dicas para manter o equilíbrio emocional nas próximas semanas e no dia da prova

A Saúde Emocional passa pelo autoconhecimento. Quanto mais nos conhecermos mais nos respeitamos e aceitamos nossos limites. Não há receitas prontas para mantermos nosso equilíbrio emocional pois somos seres únicos. De qualquer forma, há algumas variáveis que podem auxiliar no gerenciamento das nossas emoções.

– Preste atenção na sua respiração, respirações curtas são fruto da ansiedade, procure respirar longa e pausadamente mantendo seu cérebro oxigenado;

– Controle seus pensamentos automáticos: Repita frases positivas mentalmente mesmo estando inseguro: “eu posso”, “eu consigo”, “eu mereço”;

– Desacelere o ritmo de estudos e estabeleça uma rotina de revisões;

– Pratique o foco no aqui agora;

– Pratique algum tipo de meditação, isso auxiliará no processo de concentração;

– Faça pausas de 10 minutos a cada 50 minutos de estudo para ajudar a oxigenar o cérebro;

– Realize atividades de lazer com moderação e lembre-se do conjunto: hidratação, alimentação e sono;

– No dia da prova, chegue cedo e se ambiente com o local;

– Confie em você e no seu aprendizado.

*Texto com a colaboração da Psicóloga e professora da Unoesc Scheila Beatriz Sehnem

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