Você sabia que somos os principais responsáveis pelo descarte correto de medicamentos, sejam eles vencidos, sobras ou em desuso, os quais fazem parte das nossas farmacinhas caseiras ? E ainda, você sabe como realizar este descarte de forma correta ? As empresas que fabricam medicamentos tem seus próprios mecanismos de gerenciamento de resíduos, os quais seguem legislações sanitárias específicas, porém, o consumidor final de medicamentos sem perceber pode tornar-se um potencial poluidor  do local onde vive, caso este não descarte corretamente seus medicamentos vencidos ou as sobras destes medicamentos, em locais apropriados e específicos para a coleta. E é para reforçar a importância de estar atento a esta questão que abordamos o assunto.

 

Quais os possíveis impactos para o meio ambiente do uso indiscriminado de medicamentos ?

 

Nos últimos anos o foco dos estudos científicos tem-se voltado para a presença de contaminantes químicos na água para consumo humano, nos rios e no lençol freático. Sabe-se que além das fontes comuns de contaminação, como defensivos agrícolas, resíduo industrial sem o devido tratamento, tem preocupado também o uso de medicamentos, muitas vezes de forma indiscriminada, os quais ao passar pela excreção urinária ou pelas fezes, acaba indo parar nas redes de tratamento de esgotos dos centros urbanos ou nas fossas sépticas do meio rural. Os fármacos excretados, seja no uso humano ou veterinário, apesar de passarem por tratamentos físico-químicos, são persistentes, e por isso nem todos os contaminantes, a exemplo dos hormônios anticoncepcionais e dos antibióticos, são efetivamente eliminados ou bloqueados, na natureza. E isto, inevitavelmente, impacta o meio ambiente alterando principalmente a fauna, no que se refere ao desenvolvimento da vida marinha, além do que, grande parte desta água, retorna ao consumo humano, com uma grande possibilidade de  que fármacos ainda estejam presentes nestes meios.

 

Qual a relação disto com o descarte incorreto dos medicamentos como lixo comum pias, ralos ou vasos sanitários ?

 

Se considerarmos o fato de já excretarmos medicamentos que potencialmente podem poluir os recursos hídricos ou até mesmo gerar resistência bacteriana aos antibióticos, o que dizer dos medicamentos vencidos ou as sobras de medicamentos que erroneamente são descartados no lixo comum ou na rede de esgoto através de pias e vasos sanitários. Certamente o impacto ao meio ambiente seria preocupante e sem precedentes, incluindo o surgimento de bactérias super resistentes ou a feminização de animais marinhos machos, resultando em um desequilíbrio dos ecossistemas. E no que se refere aos efeitos adversos nos seres humanos, estudos apontam que dependendo do tempo de exposição a estrogênios naturais e a contraceptivos, existe uma relação com o aparecimento de câncer de mama, testicular e de próstata, de ovários policísticos, além da redução da fertilidade masculina.

 

E o que fazer com os medicamentos vencidos ?

 

Devemos sempre optar por descartá-los em locais autorizados para as coletas, como farmácias próximas de nossas residências, postos de saúde, secretaria de saúde ou vigilância sanitária.

 

E o que fazer com as sobras de medicamentos ?

 

Estas, sempre que possível, devem ser levadas para o descarte correto, pois doações de medicamentos podem representar uma prática de risco, apesar da perspectiva de uma boa intenção, pois não há a garantia de que um medicamento, mesmo dentro do seu prazo de validade, tenha sido mantido nas temperaturas recomendadas de armazenamento, as quais variam entre ambiente: 15°C- 30°C, fresca: 8°C – 15°C, fria ou refrigerada: 2°C- 8°C ou congelada: -20°C – 0°C, dependendo da classe do medicamento, além dos cuidados que se deve ter com relação a exposição a luz e a umidade.

Por ultimo, fica uma importante dica:

Comprar medicamentos na quantidade necessária e através da orientação de um profissional de saúde, sempre será a melhor escolha.

 

Com informações  de João Ronaldo Notargiacomo Ferreira

Professor da UNOESC-Videira e Farmacêutico Industrial

joaoronaldoferreira@gmail.com

 

Descarte correto de medicamentos preserva o meio ambiente

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